Lamento pelas críticas negativas que o filme vem recebendo, mas é inegável que certas obras exigem um repertório mais amplo para serem plenamente apreciadas. Trata-se de um filme que se articula como uma poderosa metáfora sobre as futilidades humanas e aquilo que, de fato, é essencial. A aparição do livro O Casamento do Céu e do Inferno de William Blake, encontrado pelo protagonista como se fosse um refúgio oculto no inconsciente, é um ponto crucial que sintetiza com precisão o espírito da obra.
O desfecho, marcado por aquela cena simbólica de ascensão, funciona como a culminação de toda a proposta do filme: uma trajetória que transcende a materialidade e aponta para algo mais elevado, ainda que indefinido. É um daqueles filmes que, mais do que provocar impacto imediato, vai reverberando aos poucos, “batendo” com força dias depois da sessão. Em suma, uma experiência cinematográfica potente, que merece ser revisitada e amadurecida com o tempo. Ótimo.