O filme "Beleza Americana" é um drama originalmente escrito pelo roteirista norte-americano, Allan Ball, e dirigido por Samuel Mendes, um renomado diretor e produtor britânico. A trama exibida pela primeira vez no final da década de 90, traz à tona uma questão bastante polêmica: A vida de aparências e como ela tem influenciado as pessoas desde aquela época.
A história começa sendo narrada pelo protagonista, Lester Burnham (Kevin Spacey),um adulto que enfrenta a crise da meia-idade. Lester está cansado de tudo; da rotina repetitiva, do novo supervisor do trabalho, e até de sua própria esposa, Carolyn (Annette Bening), e sua única filha, Jane (Thora Birch). Mas, certa vez, Lester é cativado por Angela Hayes (Mena Suvari ), uma garota de beleza encantadora, e a melhor amiga de Jane. O encontro inusitado entre os dois, leva Lester a perceber que sua vida não precisa ser a mesma para sempre, desde que ele esteja disposto a dar a volta por cima.
Em seu roteiro de qualidade, Allan Ball não hesita em explorar atentamente a atmosfera dos personagens, focando em suas mais profundas inseguranças, desejos e a forma como cada um deles lida com seus próprios sentimentos. Sam Mendes, diretor reconhecido pelo seu trabalho bem requisitado em obras como "007 SkyFall", se empenhou fielmente em desenvolver a atuação do elenco de "Beleza Americana", tornando as cenas do filme mais reais possíveis. Esse feito despertou sentimentos genuínos aos espectadores, como aflição, indignação e surpresa.
Um dos exemplos mais notáveis da capacidade do elenco, é o papel bem executado por Kevin Spacey, o qual foi muito aplaudido pelos críticos cinematográficos, rendendo-lhe até mesmo o Oscar de Melhor Ator. Sua prestígiada atuação, não só deu vida ao personagem principal, Lester Burnham, mas também revigorou um dos ápices do filme: A possível relação proíbida entre Angela Hayes e o pai de sua melhor amiga. A dinâmica apresentada torna o filme ainda mais intrigante, levando o espectador à especular as verdadeiras motivações do protagonista, e de que modo a história acabará.
Por trás de uma estética melancólica, a narrativa entrega uma poderosa mensagem oculta, capaz de induzir qualquer um à questionar seus próprios atos. O filme, de maneira sútil, faz uma crítica aos esteriótipos norte-americanos e suas vidas aparentemente perfeitas. Através dos conflitos da família Burnham, a trama expõe o comportamento egocêntrico dos seres humanos em seu cotidiano, e como a intolerância, ingratidão, decisões impulsivas, e a busca insessável por uma aparência perfeita influenciam na qualidade de vida das pessoas. Esses ideais alavancaram o sucesso estrondoso de "Beleza Americana", não apenas nos Estados Unidos, mas também nos cinemas brasileiros, tornando-se um clássico contemporâneo, e ferramenta de debates socioculturais até os dias de hoje."