Só avisando. Tem spoiler.
Vejo Angela como a beleza americana. O que ela causa, o que ela muda no estilo de vida de cada um, o fato de, como representante da beleza, ela ser comum; e odiar o que é comum. Como se tivesse que ser contrariada, gerando beleza verdadeira, loucura. Ela é a beleza americana. Todos a querem, mas ela é virgem, como se fosse intocável, mas se permite tocar, porque é perigosa e irresistível. São as pétalas amarelas que caem sobre a calçada, por mais que possam ser vermelhas como rosas.
Mas o filme vai muito além disso. Mostra a visão de cada um dos personagens, e como ela pode estar enganada. É como uma verdade sendo vista de vários pontos, e ela continua sendo a mesma, ou as mesmas, na vida de cada um... Como a imagem é tão valorizada.
Também enxergo o cara dos imóveis (que agora esqueci o nome) como beleza americana. Mas no caso dele, a repercussão para seu alvo (Carolyn) pode ser outra. é contrária à propaganda, (a qual é fundamental para que a beleza seja mostrada): é quando você possui essa beleza superficial e perde o controle do que não se encaixa à ela.
Ricky, pra mim, é algo que está no mesmo patamar que a beleza americana. É supostamente o seu oposto, mas é seu complemento. Por isso que Lester tem o foco na história. Ele vivencia os dois fundamentos: a beleza americana de Angela - o prazer que apenas versão teórica te proporciona, a motivação, a curiosidade, a satisfação e a dependencia; e a "loucura" de Ricky - a indignação, atitude, despadronização, liberdade. Se demite, fuma maconha, faz o que quer, sem fazer questão de se encaixar, de ligar pra do que é taxado. Outro modo de enxergar as própria vida, ilimitado.
Como a vida, independente de ser uma vidinha, continua sendo fascinante em sua forma e como não enxergamos isso, presos ao comum, ao estável. É uma disputa por dois lados, duas partes, um em cada ponta, onde o que consegue equilíbrio e valoriza a harmonia entre as duas metades acaba sendo massacrado por aquele que não gosta de nenhuma das duas.
Não acho que isso se coloque à sociedade, como pessoas, mais fortes e mais fracas. Não é isso. É como se essa regra fosse a da nossa própria mente, mostrando o tempo perdido, o que tentamos nos tornar, a motivação ao padrão e a loucura que é ceder à originalidade e como essas duas coisas se completam... E, talvez no final, como o nosso lado predominante, mais forte, acaba tomando conta de tudo o que temos. Mas é estranho falar, é como se não fosse assim, mas assim foi colocado e assim foi interpretado. Se bem que não temos necessariamente nos prender ao material visual e não considerar a própria fantasia, que no caso é positiva.
Não dá pra explicar esse filme. Eu não tenho condições.