Coringa: Delírio a Dois
Depois do impacto cultural de Coringa (2019), que redefiniu a forma de contar histórias de vilões no cinema e rendeu dois Oscars — incluindo Melhor Ator para Joaquin Phoenix — a continuação chegou cercada de expectativas gigantescas.
Essa sequência, Coringa: Delírio a Dois, lançada em 2024 e com cerca de 138 minutos de duração, parecia destinada a expandir a mente caótica de Arthur Fleck. No entanto, o que poderia ser uma evolução sombria do personagem acabou se transformando em uma das maiores decepções recentes do cinema.
Gêneros: Drama psicológico, Musical, Crime, Suspense
Principais atores e personagens
Arthur Fleck / Coringa — Joaquin Phoenix, Harleen Quinzel (Harley Quinn) — Lady Gaga
Enredo
A história se passa após os acontecimentos do primeiro filme. Arthur Fleck está preso no Asilo Arkham, onde enfrenta seu julgamento e mergulha ainda mais fundo em sua própria mente fragmentada.
Durante esse período ele conhece Harleen Quinzel, uma mulher igualmente instável que passa a desenvolver uma obsessão por ele. A relação entre os dois se transforma em uma espécie de fantasia compartilhada — um “delírio a dois”.
O problema é que essa loucura coletiva não se manifesta apenas em violência ou caos psicológico.
Ela se transforma em números musicais.
易 História e proposta narrativa
Aqui está o grande ponto de ruptura.
O primeiro filme era um drama psicológico cru, quase documental, sobre um homem quebrado pela sociedade. Era pesado, desconfortável e profundamente humano.
Já esta sequência decide seguir um caminho completamente diferente.
A narrativa mergulha em uma estética de musical surreal, onde Arthur e Harley frequentemente expressam seus sentimentos através da música e da dança.
Para alguns, pode ser uma tentativa artística ousada.
Para muitos espectadores, porém, soa como uma ruptura total com o que o público esperava do personagem.
Atuações
Mesmo dentro dessa proposta controversa, Joaquin Phoenix continua entregando uma atuação comprometida. Ele mergulha novamente na fragilidade e na instabilidade mental de Arthur Fleck.
Da mesma forma, Lady Gaga cria uma versão intensa de Harley Quinn, com presença forte e personalidade própria.
O problema não está nas atuações.
Está na direção criativa da história.
Comparação com o primeiro filme
O sucesso de Coringa (2019) vinha justamente de sua simplicidade brutal:
um estudo psicológico sobre isolamento, violência social e colapso mental.
A sequência parece ignorar esse caminho.
O resultado é um filme que muitos espectadores sentiram como uma traição ao espírito do original.
O Coringa que antes era perturbador e imprevisível agora passa boa parte do tempo cantando em números musicais estilizados.
Para quem esperava um mergulho ainda mais profundo na mente do vilão, a experiência pode ser frustrante.
⭐ Avaliação Final
Coringa: Delírio a Dois talvez seja um dos casos mais claros de como uma sequência pode dividir completamente o público.
Tecnicamente o filme não é mal produzido. As atuações são fortes, a fotografia é elegante e a direção mantém um estilo autoral.
Mas a escolha de transformar o universo sombrio do primeiro filme em um musical psicológico acabou afastando grande parte dos fãs.
Para muitos espectadores, o que deveria ser uma evolução do personagem acabou parecendo um delírio artístico distante do Coringa que conquistou o público em 2019.
Vale a pena assistir?
Não, ou se você deseja, como destruir uma obra.
⭐ Nota final: 1 / 10