Alien: Romulus (2024)
"Alien: Romulus" é dirigido por Fede Álvarez e escrito por Álvarez e Rodo Sayagues. O longa-metragem faz parte da franquia "Alien", porém com uma história independente que é ambientada entre os eventos de "Alien, o 8.º Passageiro" (1979) e "Aliens: O Resgate"(1986).
O filme inicia com a história dos jovens colonos que eram oprimidos em seu planeta, quando decidem vasculhar uma estação espacial abandonada e iniciam uma busca em forma de exploração espacial como uma fuga daquele planeta-prisão. Dentro desse contexto os jovens colonos acabam descobrindo a forma de vida mais aterrorizante do universo e precisam lutar pela sobrevivência contra os xenomorfos.
É fato que a franquia "Alien" é uma das maiores franquias do terror Sci-fi da história do cinema, mas também é fato que desde a quadrilogia finalizada lá nos anos 90 que a franquia "Alien" está totalmente perdida e sem rumo. E digo mais: muito dessa perda de identidade está na conta do próprio Ridley Scott, a mente brilhante por trás do clássico de 1979, apesar que dentro da franquia eu considero "Aliens: O Resgate" não só como o melhor filme de toda a franquia como um dos melhores Sci-fi de todos os tempos.
Ridley Scott é o diretor responsável por "Prometheus" (2012) e "Alien: Covenant" (2017), que pra mim são dois filmes dentro do universo "Alien" que eu considero como desnecessários. Tudo bem que temos "Prometheus" como um prólogo de toda a história dos xenomorfos, onde o mesmo tenta explicar a sua verdadeira origem. Mas pra mim não funciona, não encaixa, e o mesmo vale para "Covenant", que consegue ser um pouco melhor que "Prometheus", o quê não quer dizer grande coisa.
"Alien: Romulus" é um verdadeiro resgate de identidade e essência da franquia, uma verdadeira volta às origens. E muito desse resgate se deve justamente ao fato de que dessa vez o Ridley Scott ficou somente na produção e a direção e roteiro à cargo da dupla Fede Álvarez e Rodo Sayagues. Contando entre direção e roteiro, Álvarez e Sayagues são os responsáveis pelo excelente remake de "A Morte do Demônio" (2013) e o ótimo "O Homem nas Trevas" (2016). Ambos possuem ótimas características e qualidades cinematográficas do gênero em questão, o que os qualificam como os mais indicados para trabalharem na direção e roteiro do sétimo filme da franquia "Alien".
O que mais me impressiona em "Alien: Romulus" é justamente o fato que Álvarez e Sayagues fizeram o simples porém muito bem feito, sem querer caminhar pelo caminho onde justamente o Ridley Scott caminhou nos longas de 2012 e 2017. Um dos maiores problemas tanto de "Prometheus" quanto de "Covenant" é justamente essa necessidade de contar toda a origem, de querer navegar entre a religião e a ciência, entre a criação e o criador, onde inevitavelmente o foco é mais na ficção científica do que no terror; mesmo que a franquia sempre esteve ligada nesses dois temas.
Quando eu digo que Álvarez e Sayagues fizeram o simples bem feito é exatamente a construção de um longa-metragem que funciona como um filme independente, sem precisar de amarras, de rótulos, onde possui a sua própria construção e destino, sabendo aonde quer chegar, sem a necessidade de explicar origem, onde o mesmo funciona como uma espécie de "Alien, o 8.º Passageiro" mais jovem. "Alien: Romulus" é um verdadeiro deleite para os fãs da velha guarda, pois tudo aqui foi muito bem pesquisado e projetado; como o fato do próprio diretor se consultar com o Ridley Scott e com o James Cameron (diretor do segundo filme). Sem falar que longa apresenta conexões e referências com todos os seis filmes anteriores e com a versão do videogame "Alien: Isolation" (2014); por sinal um jogo excelente.
"Alien: Romulus" consegue navegar entre o terror e a ficção científica, onde o mesmo dosa muito bem o terror psicológico clássico com elementos de ação, que são às marcas registradas de toda a franquia. E vale ressaltar que o diretor navega muito bem entre os dois primeiros filmes da franquia, que obviamente são os melhores até hoje, usando uma combinação perfeita entre a essência de suspense e terror do primeiro, com toda a atmosfera de tensão e ação do segundo. Temos aqui um verdadeiro Fan service, com várias cenas prestando uma verdadeira homenagem às cenas clássicas, sem falar nas várias formas de evolução do xenomorfo, que passa pela sua forma mais parasitária e ameaçadora, onde temos o icônico Facehugger, depois o Alien em sua forma adulta e letal, e por fim o híbrido, aquela espécie de Alien humanoide, o que me remeteu imediatamente ao clássico "Alien - A Ressurreição", ou talvez o que deveria ter sido.
O elenco mais jovem faz um básico bem feito, por mais que em sua grande maioria eles estivessem ali unicamente para morrerem, o que já é um clássico dos elencos da franquia. Dessa forma eu não vejo um elenco onde vamos nos apegar emocionalmente. E olha que entre o elenco temos a bela Isabela Merced, uma atriz que gosto muito. O destaque maior fica à cargo do David Jonsson com seu personagem humanoide sintético Andy, que é muito bom por sinal, e a competente Cailee Spaeny com sua personagem Rain Carradine. Longe de mim querer comparar, mas as partes finais da Rain enfrentando os Aliens com aquela metralhadora trouxe a ela uma pegada forte, guerreira, quase uma badass no estilo da icônica Ellen Ripley.
"Alien: Romulus" é muito bom, um grande acerto, um verdadeiro revival, um verdadeiro resgate às origens da franquia, sendo pra mim um dos melhores filmes do "Alien" desde a quadrilogia finalizada em 1997.
- 04/11/2025