O “documentário” do Brasil Paralelo, é lamentável por vários motivos, principalmente destacando-se a questão estética, ética e histórica. A visão estética é profundamente anacrônica, uma narrativa em off que guia o espectador tentando bloquear as possibilidades críticas. Esse modelo de cinema é piegas, ultrapassado. A fotografia é amadora, os enquadramentos são horríveis, a música tenta manipular insistentemente. Do ponto de vista ético o tom é degradante. Ligas camponesas exageradamente armadas, prontas ao comunismo selvagem. Chega-se ao cúmulo de manipular uma foto do genial e mundialmente conhecido Sebastião Salgado, tirada em 1986 na Serra Pelada (O Sal da Terra), como se fosse de camponeses armados ameaçando soldados, algo vergonhoso e degradante! Todos os supostos fatos são narrados como confirmados por dezenas de especialistas que nunca são citados. Quase todos os elementos “históricos” são embasados por pessoas que já faleceram, sem a apresentação de documentos. Grande falácia de um dos entrevistados, Olavo de Carvalho, que muitas vezes tenta enganar e desconstruir a realidade com argumentos apócrifos. Factualmente ou historicamente o desastre se intensifica: o golpe de 64 passa a ser um movimento de salvação e libertação do Brasil da Revolução Comunista, dito sem o mínimo pudor e obviamente sem base história que corrobore. Todos os documentos são apenas citados, são inexistentes. Chega-se a dizer que a intervenção militar foi uma operação cirúrgica, para a retirada do tumor comunista que já estava em processo de metástase. Se você tem possibilidades analíticas e críticas é recomendável, pois, irá saber exatamente separar todas as falácias. Se acreditar que a terra é plana e não averigua o que lhe empurram, há um grande perigo de que creia em tudo e se torne mais um tijolo na parede. Um “documentário” sofrível que vê o Brasil e o mundo pelo retrovisor.