O Predestinado é aquele tipo de filme que brinca com a nossa cabeça — e faz isso com gosto. Com direção dos irmãos Michael e Peter Spierig, ele mergulha no universo das viagens no tempo, e como sempre acontece nesse tipo de história, já vem carregado daquele clima de paradoxo e confusão mental que a gente já espera. Pode parecer um pouco clichê, e até é, mas não no mau sentido. Quando o negócio é bem feito, funciona — e nesse caso, funciona sim.
O filme nos joga numa narrativa envolvente, cheia de mistério, e o modo como a história é contada — com narrativa dentro da narrativa — é um acerto enorme. Você não sente o tempo passar, porque tá ali tentando juntar as peças, tentando entender quem é quem, o que tá acontecendo de verdade… e quando chega o final, ele não entrega tudo de bandeja, deixa aquele gostinho de "quero mais", o que eu acho sempre válido em histórias desse tipo.
Agora, vou ser bem sincero: quando percebi que era sobre viagem no tempo, eu já saquei o plot. Talvez isso tenha tirado um pouco do impacto pra mim. Mas não culpo o filme por isso — é mais culpa minha mesmo, de já estar calejado com esse tipo de reviravolta. Pra quem não tá acostumado com esse tipo de narrativa mais temporal e circular, eu acho que vai ser um baita filme, com surpresas bem marcantes.
A atuação do Ethan Hawke segura bem o filme todo, e a Sarah Snook manda muito bem também — especialmente considerando o papel que exige tanto camadas dramáticas quanto entrega física e emocional. Dá pra ver que teve cuidado na construção dos personagens, por mais complexa que a trama seja.
Conclusão:
O Predestinado é um filme inteligente, bem executado e com uma estrutura narrativa muito interessante. Pode até cair naquele lugar comum dos filmes de viagem no tempo, mas faz isso com estilo. Se você é daqueles que já viu muita coisa do tipo, talvez pegue o plot de cara e perca um pouco da surpresa. Mas se entrar de mente aberta — ou for novo nesse tipo de história —, a experiência tem tudo pra te deixar de cabeça virada. No fim das contas, vale a pena. Mesmo que o tempo, nesse filme, seja só uma ilusão a mais.