Quem é Drácula?
Essa é a pergunta que o filme Drácula – A História Nunca Contata quer responder. É por isso que eu fui ver o filme, estava curioso para saber como este famoso personagem surgiu. Muitos filmes já tentaram explicar a origem do conde, alguns conseguiram mostrar algo original, outros nem tanto. Mas o Drácula destes filmes sempre foi o monstro, o terrível vilão. Confesso que torci para o filme não recorrer à moda atual em que mostra o vilão como o mocinho , mas isso foi exatamente o que aconteceu.
No filme, Vlad é apresentado como o justo príncipe da Transilvânia que foi escravo dos turcos, transformando-se em um terrível soldado empalador de corpos. Ao voltar a sua terra natal, Vlad tenta deixar o seu passado sombrio e sangrento para trás. Tudo o que ele quer é proteger sua família e seu reino. Mas os turcos são poderosos e exigem, novamente, mil garotos para o seu exército, entre eles o seu filho.
Percebemos, então, que Vlad é capaz de qualquer coisa para salvar o seu filho, inclusive fazer um pacto com um ser que ele não compreende direito. Ser este, explicado em dois minutos por um padre no início do filme. Até este ponto podemos ver um personagem humano muito bem representado por Luke Evans, mas o filme tem uma virada muito brusca quando ele vira vampiro, recebendo poderes e sendo hábil de usá-los sem o mínimo de treinamento. Em uma cena ele percebe que pode controlar morcegos e um segundo depois reúne um exército de milhares de roedores voadores como se soubesse fazer isso por vários séculos (visualmente, uma das melhores cenas do filme).
O filme inteiro procura justificar os atos de seu protagonista, mostrando-nos o outro lado da história (qualquer semelhança com Malévola não é mera coincidência), diferentemente do filme da Disney porém, Drácula – A História Não Contada é um pouco mais sombrio, com um final não tão feliz. Luke Evans, assim como Angelina Jolie, incorpora o personagem como se ele estivesse escrito especialmente para ele. O mesmo não pode ser dito dos outros atores cujos personagens são muito superficiais, incluindo um Dominic Cooper no papel de um Sultão com problemas de excesso de maquiagem.
O último ato do filme dá mais uma virada, com direito a uma cena à la O Espetacular Homem Aranha, fazendo o “herói” tomar uma decisão importante e nem um pouco inesperada. O exército criado por ele é aterrorizador, e mostra, depois de tanto tempo, VAMPIROS. Aqueles monstros sugadores de sangue que têm alergia ao Sol, a prata e a cruz. Confesso que senti saudades destes tipos de vampiros clássicos. Uma das últimas cenas, com os vampiros em circulo foi algo que eu não via há muito tempo. Aqui vemos mais uma cena visualmente bela.
Talvez pelo fato de conhecermos tão bem este vampiro, o filme não procura explicar muito como funciona a transformação. Creio que o intuito do filme é mostrar um Drácula mais humano, mas não menos letal. Para quem gosta do gênero é um prato cheio. Mas se você ainda não assistiu, assista sem expectativas que você vai gostar. Vale a pena ver, se não pela história, pela fotografia e efeitos especiais que funcionam bem, assim como a já citada eficaz atuação de Luke Evans.