Os filmes de ação foram criados para deixar o espectador tenso na cadeira do cinema. A fórmula utilizada é a mesma. O que se pode diferenciar é a forma e o estilo de como ela é contada. Em Missão Impossível Nação Secreta não temos nada significativo para dizer que a estrutura narrativa apresenta algo diferente. Mesmo assim é impossível não ficar tenso com o intenso ritmo do filme. Isso se deve muito a Tom Cruise, a trilha sonora, uma montagem eficiente e um roteiro que tem um timing muito bom apesar de apresentar algumas cenas que parecem forçadas para se encaixar no estilo Missão Impossível.
Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe estão investigando uma suposta rede terrorista. Após conseguir impedir o transporte de um material toxico que foi contrabandeado pela organização terrorista, ele vai atrás das novas coordenadas do IMF e se depara com um grupo que conhece sua identidade.
É impossível não ficar tenso ao longo do filme Missão Impossível Nação Secreta. Sabemos o que iremos passar, mas mesmo assim a apreensão surge. Essa é uma grande diferença para os filmes em que nosso protagonista, mesmo em cenas que sugerem algo de tensão, parece não ter nenhum problema para sair daquele problema apresentado. Em toda cena cria-se uma tensão natural o que é funcional para esse tipo de filme. Isso muito se deve a Tom Cruise. Não importa se ele fez cenas sem ou com dublês. O que importa é que sua maneira tão intensa de atuar, em qualquer personagem de filme de ação, não se encaixa tão perfeitamente como a franquia Missão Impossível. Nesse, ele parece nem ser tão intenso em sua atuação, mas mesmo assim a vontade de vencer de seu personagem pula para fora da telona direto para o colo do espectador.
Essa vontade intrínseca a seu personagem também é ajudada pela forma em que o filme é construído. A montagem ajuda a criar tensão e é eficiente para não deixar seu ritmo cair. Somado a isso o efeito que é executado no rosto do personagem de Tom Cruise, com sua face meio que se desfigurando em relação ao vento/velocidade traz um impacto maior ao expectador, e o protagonista além de parecer estar vivendo tudo aquilo em sua pele, consegue passar uma tensão latente que leva o público a ver obstáculos, mesmo sabendo que dificilmente o protagonista deixará de passar por eles. O que interessa não é se ele vai conseguir ou não vencer, mas como ele fará para vencer. Além disso, assim como é difícil imaginar Casablanca sem sua música As Time Goes By, imaginar Missão Impossível sem sua trilha sonora não é possível. Logo no início os primeiros acordes já faz com que o expectador anseie pelo o que está por vir.
Há certos elementos no roteiro que falam sobre o cinema e outros que querem tornar as cenas praticamente irrealizáveis para vivermos o título do filme. Nesse último ponto ele deixa a desejar pois ele deixa de se preocupar com a história para se preocupar exclusivamente em nos deixar tenso com as cenas inviáveis em que os personagens irão viver. Então, esconder uma informação ultra secreta em uma usina hidrelétrica somente para criar situações impossíveis é algo que nos outros filmes dessa série não acontecem. As cenas estão dentro do contexto e no caso de Nação Secreta não. O roteiro também, para se desenvolver, parte de uma premissa que a organização secreta chamada Sindicato tem informações confidenciais demais e que temos que aceitar sem explicações.
Agora é bom ver cenas que de certa forma fazem referências ao próprio cinema. Cenas como uma mão como em Psicose e utilizar uma nota musical específica para assassinar alguém como em O Homem Que Sabia Demais é lembrar muito do mestre Hitchcock. O detalhe de um plano como mostrar os minutos que alguém está treinando em uma piscina para quanto consegue ficar debaixo d’água é um cuidado interessante que também lembra o mestre do suspense. Sem contar que já nos prepara para a cena seguinte. Não podemos deixar de citar a introdução do que podemos chamar de uma Bond Girl (que inclusive tem o nome de Ilsa (Rebecca Ferguson), mesmo nome da personagem principal de Casablanca).
Se utilizando de uma ação quase incessante, mediada por um humor descontraído o filme acerta em cheio e faz com que o espectador se contorça na cadeira do cinema. Apesar do roteiro não ser um dos melhores da franquia, conseguimos deixar isso de lado e nos envolver em meio àquelas cenas muito bem desenvolvidas permeadas de uma tensão crescente.