Está virando “moda” em Hollywood comédias românticas adaptadas de obras literárias com um considerável volume de vendas, um exemplo perfeito para essa afirmação são os filmes “O Diabo Veste Prada” e “Não Sei Como Ela Consegue”. Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” é o primeiro romance da escritora inglesa Sophie Kinsella, lido por milhões de leitores em mais de 35 países.
O filme se passa em Nova York com Rebecca Bloomwood (Isla Fisher), ou apenas Becky, uma jornalista que adora ostentar roupas, bolsas, sapatos e outros apetrechos femininos (que não faço ideia de como denominá-los) da moda das mais famosas grifes do mundo. Para Becky, consumir moda é “consumir felicidade”, ou seja, quanto mais acessórios, mais feliz ela se sentirá. Não bastasse a compulsão pelas compras, Becky possui diversos cartões de créditos e uma dívida enorme (exagerada) para liquidar, entretanto, o fato de estar desempregada faz com que ela se aventure a procurar um emprego na revista de moda que ela mais admira, mas ela consegue “apenas” o emprego em uma famosa e respeitada revista de economia.
O objetivo do filme é explícito desde as primeiras cenas, escarnecer o vício das pessoas pelo consumismo e de certo modo uma reorientação de como utilizar de forma consciente o dinheiro.
Não bastassem as tristes ironias que o filme proporciona, a obra abusa de diversos clichês e é extremamente previsível. É possível saber como o filme irá terminar com pouco mais de trinta minutos de duração. Durante o filme inteiro temos aquela sensação de “já vi isso antes” ou “já vi essa piada em algum lugar”, seja nos filmes citados anteriormente ou em alguma outra comédia do gênero.
Isla cumpre o papel de uma forma absurdamente caricata, mas não sei se era a real intenção de Hogan, no mais qualquer outra atriz de boa aparência faria o mesmo trabalho. Afirmo sem nenhum receio que não conheço outros trabalhos de P.J. Hogan, mas este deixou a desejar em quase todos os aspectos (há um ou dois bons momentos no filme que não me recordo pelo conjunto horrendo da obra).
O filme conta também com o conhecido John Goodman (onde ele interpreta o pai de Rebecca), que desenvolve consideravelmente bem o papel de pai coruja(bobo), o ator britânico Hugh Dancy e a atriz Krysten Ritter (famosa por diversas comédias românticas).
Rico em piadas medíocres e extremamente direcionada a um nicho de pessoas, o roteiro é fraco e muito arrastado (não conheço o livro, mas pelo filme tenho certeza que nunca irei conhecê-lo), o filme irá agradar principalmente mulheres com os mesmos sintomas e sentimentos fúteis da protagonista.