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A Substância
A Substância
5,0
Enviada em 28 de janeiro de 2025
O filme escancara a hipocrisia da nossa sociedade, que exalta juventude e perfeição enquanto destrói aqueles que não conseguem acompanhá-la.

O etarismo é como uma faca cravada no peito de Elisabeth, vivida por Demi Moore. Ela se contorce, desesperada, para continuar pertencendo a um mundo que a quer morta ou, pior, invisível. O terror da obra não está na substância que ela ingere, mas na realidade sufocante que todas as mulheres enfrentam quando ousam envelhecer diante dos olhos da sociedade. O roteiro não te dá tempo para respirar ou escapar: ele te obriga a ver cada ruga, cada gota de suor e cada pedaço da humanidade sendo arrancado dessa mulher.

O padrão de beleza é uma armadilha, uma jaula, onde as mulheres são colocadas para serem admiradas, julgadas e descartadas. O filme não te dá espaço para refletir calmamente sobre isso; ele te atropela com a brutalidade das imagens e a crueldade das suas metáforas. A substância que Elisabeth consome é o veneno da própria sociedade, disfarçado de promessa de perfeição.

Na produção, o machismo está presente o tempo todo. O câncer que molda o que as mulheres devem desejar, como devem agir, como devem existir. O filme não precisa te explicar isso; ele te joga direto no colapso emocional e físico de Elisabeth, e você sente o peso de todas as expectativas que já destruíram milhões de vidas antes dela.