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Ainda Estou Aqui
Ainda Estou Aqui
4,5
Enviada em 12 de novembro de 2024
O filme é uma obra marcante que explora a tristeza e a importância de lembrar um dos períodos mais sombrios de nossa história. Embora muitas obras tratem da Ditadura no Brasil, ainda parece que, como sociedade, "insistimos" em não dar a devida prioridade ou relevância ao tema. Lembro-me do impacto que senti ao visitar o "Museu da Memória e dos Direitos Humanos" em Santiago, no Chile: a forma como o povo chileno se envolve, o número de crianças visitando o espaço e o vasto acervo de material exposto. Isso me levou a questionar por que o tema não recebe o mesmo tratamento em nosso país, mesmo reconhecendo o valioso trabalho realizado pelo Museu da Resistência em São Paulo.

É um filme em duas grandes partes: uma dualidade entre períodos que, infelizmente, não se equilibram. Apesar do merecido e incontestável elogio ao trabalho de Fernanda, destaca-se também a construção feita por Selton de seu personagem, essencial para o desenvolvimento da narrativa, mesmo com tempo menor em cena. No comparativo da obra, achei que os personagens que representam os filhos (tanto na fase infantil quanto na adulta) ficaram um pouco aquém no trabalho de interpretação. Embora isso não comprometa significativamente a narrativa, parece que faltou um pouco mais de profundidade e seleção.

As transições e edições revelam uma narrativa bastante coesa e dinâmica, sem contar o ótimo trabalho de produção de época; inclusive na fotografia do filme, aquele grão todo e o uso de imagens de uma câmera Super8 intercalando as cenas. Chama atenção também a trilha - procure nos streamings e irá encontrar algumas playlists já prontas, é uma ótima curadoria de música do período (que massa foi ouvir "Jimmy, Renda-se", que música boa!).

Filmão que todo brasileiro deveria assistir: para nunca esquecer e, como cantou Gal, estar sempre atento e forte. Assista!