Neto Gomes
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Quando Eu Era Vivo
Quando Eu Era Vivo
4,0
Enviada em 12 de setembro de 2022
Essa foi uma das surpresas mais agradáveis que já tive nesse ano de 2022.

Trata-se de um filme para um público restrito, mais especificamente para aqueles que sabem apreciar uma obra cadenciada e cheia de simbolismos.

Sem dúvidas, é o melhor longa de Marcus Dutra (diretor de O Som ao Redor e Trabalhar Cansa). Nessa obra, podemos notar o desapego evidente de questões sociais e a imersão por completa ao gênero de suspense e terror sobrenatural, com claras referências aos grandes clássicos como O Iluminado. Tal relação, pode ser vista em todo o processo de "embalsamento" do personagem principal, além da sua caracterização e a presença de certos elementos como as crianças sinistras. Além deste, citemos ainda toda a atmosfera criada a respeito da ascendência de JR, que faz um paralelo ao conto O Horror de Dunwich de H.P Lovecraft e até mesmo Hereditário.

Um aspecto muito interessante, é a adição de elementos de lendas nacionais como o boneco Fofão, a personagem que externaliza a crendice brasileira e a falta dela no sobrenatural, dentre outros.

A direção de som é maravilhosa, aproveitando-se bem do silêncio e dos gritos de um insano, apresentado precocemente no filme.

Sandy possui uma atuação boa e é uma soma fabulosa para a trama. Por ser conhecida pela atmosfera meiga e doce, ao se colocar com essas mesmas características em um contexto totalmente profano, nos gera um desconforto e medo extremamente agonizantes. Pois como já dizia o mestre Edgar Allan Poe: Nada é mais assustador do que a morte do que é belo.