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Com cenários espartanos minúsculos e bem apertados de uma residência construída em madeira para pessoas de baixa renda, que se resume a parte da frente da casa e dos fundos em um bairro de pobres, onde uma família negra vive suas agruras, o filme se desenrola como se fosse uma peça de teatro, o que, provavelmente, explica um roteiro repleto de diálogos densos, cortantes e sucessivos. Em nenhum momento do filme alguém deixa de falar, especialmente o pai, vivido pelo premiado ator que dirige o filme, Denzel Washington, que não consegue parar de reclamar e de trabalhar feito um cavalo para manter a família com míseros recursos que recebe na função de lixeiro. Sua atuação lhe rendeu indicação merecida ao Oscar de melhor ator e de melhor diretor em 2017, essa última menos merecida e um tanto exagerada. No papel de esposa a consagrada atriz Viola Davis segura com maestria várias sequencias intermináveis de diálogos e também, dessa vez muito merecidamente, foi indicada ao Oscar de melhor atriz. As cenas são padronizadas e com foco e ângulo repetidos, com câmeras fixas, bem posicionadas e sem novidade na edição e nas tomadas, o que deixa o filme tradicional e interessante. Direção sem riscos em um clássico com os protocolos bem amarradinhos.