Com pouquíssimas externas e a maioria das cenas acontecendo em gabinetes o diretor se esforça para não cansar o espectador ao controlar 2 ou 3 câmeras com afastamento e closes para mostrar 2 horas de um diálogo intenso de seções de psicanálise entre o índio Jimy e o prestigiado psicólogo francês Georges Devereux cujo livro, famoso em sua época no período da primeira guerra mundial, serviu de roteiro para o filme. A narrativa procura, em meio ao processo de cura dos problemas psicológicos de um índio que esteve na guerra, discutir o papel da população indígena em meio a cultura americana e, inclusive, sua participação considerada decisiva na próxima segunda guerra mundial. Assim, o etnólogo e psicanalista aos poucos percebe que a maior causa dos transtornos do índio é o choque de cultura e não os medos surgidos durante a guerra, tese defendida pela psicologia padrão para a época. O processo de cura de Devereux, tira o índio do hospital de malucos, o que vai reforçar a crítica aos hospícios de acordo com o roteiro. Segura o filme a interpretação pesada do latino com cara de índio Benício Del Toro, no papel óbvio do índio e do excelente Mathieu Amalric, o mesmo que faz o bandido irreconhecível de 007 - Quantum of Solace de 2008, no personagem do psicanalista. Direção profissional para ajudar quem assiste a digerir o tema complexo, pesado e muito triste.