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Una duas de suas paixões e tente escrever criticamente sobre elas com imparcialidade. Difícil, certo? Pois é assim que tenho que começar minhas sensações sobre Rocketman, produção britânica, cinebiografia do meu ídolo Elton John, que foi um dos produtores executivos, roteirizada por Lee Hall e dirigida por Dexter Fletcher, também responsável por trazer outro ícone do pop-rock britânico inglês às telas, a banda Queen, através do aclamado Bohemian Rhapsody. Afinal cinema e Elton John são duas cores sem as quais a tela da minha vida ficaria irremediavelmente incompleta. Ainda criança, as canções e o visual glam de Elton me cativaram para sempre e desde então analiso que seja um dos artistas mais presentes na minha trajetória e do qual tenha uma das maiores quantidades de canções retidas integralmente na memória. Portanto, o lançamento do filme cobria-se de enorme expectativa. E a expectativa, convenhamos, é mãe da ansiedade e avó da frustração. Contudo, além de cantar durante toda a projeção e sentir falta de um cinturão de chumbo para não levantar da poltrona e dançar como se estivesse presenciando um show de Elton, que quem já viu sabe que é bom de-mais! Fato que a cinebiografia é um acepipe raro e delicioso para fãs confessos e um ótimo exemplar do gênero musical que certamente terá inúmeras indicações a prêmios no futuro, pule de dez! A começar pelo excelente trabalho da direção de arte, dos figurinos impecáveis, da fotografia perfeita e uma montagem que confere fluidez ao filme. E neste ponto choca-se o interesse de fã, que quer ver uma narrativa linear (amplamente satisfeita) que reviva a trajetória do ídolo como num lançamento matematicamente perfeito de um foguete, com o interesse do cinéfilo que sempre aguarda um lançamento genial, uma obra-prima que faça o filme alcançar a constelação dos inesquecíveis. Não foi o caso, o que não o retira do rol dos filmes queridos e que serão citados quando o tema for cinebiografias musicais. Em termos dramatúrgicos, os refletores centram-se na interpretação do protagonista, a cargo Taron Egerton, que está magistral e encarna a personagem em trabalho sofisticado, inclusive no tocante aos registros vocais. Mas de competência e carisma são também os trabalhos de Jamie Bell (como o amigo e parceiro musical Bernie Taupin), Richard Madden (como o produtor-empresário-amante John Reid) e Bryce Dallas Howard (como a doidivanas mãe Sheila Eileen). Mr. Fletcher consegue um resultado final ainda superior a Bohemian Rhapsody e os créditos finais são imperdíveis, bem como foi um acerto terminar com o vídeo de I’m Still Standing, hit após um eclipse momentâneo na carreira de Elton John, que catalisa que esta estrela, como demonstra sua produção posterior, está longe de se apagar. Imperdível!