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Passividade na Guerra
De Palma abre o filme com um plano aberto descompromissado dentro de um ônibus e sutilmente aproxima a câmera à um homem desolado - Michael J. Fox - A cabeça próxima ao vidro reflete um outro lado de sua face e ele olha para uma estudante que entra no ônibus.Apesar de ser apenas uma cena introdutória De Palma já se permite ir direto ao campo de guerra graças as cenas brilhantemente introdutórias ao que veremos no restante do longa.
Aliás essa habilidade de superestilizar as cenas que De Palma tem é incrivelmente bem explorada pelo diretor.Casualties of War não é um filme de grandes novidades - O homem atormentado pela guerra - Mas é inegável a agilidade com que o diretor permite trabalhar de forma tão poderosa suas cenas.Ao acompanhar esse personagem o diretor consegue através de simples cenas manter um impacto tão poderoso quanto ao que o personagem de Michael J. Fox tem que enfrentar.
E não é desse filme apenas que De Palma possui um poder de manipulação de sentimentos,aqui ele continua com maestria essa sua qualidade imagética.O percurso em que Eriksson precisa passar é duríssimo,tão ingênuo,aos poucos ele começa a se tornar um veterano de guerra e esse percurso é muito bem idealizado.As cenas do filme andam pouco à pouco para um rumo simples mas bastante poderoso em sentimentalismo.A primeira delas onde um soldado é morto quando menos se espera nos arrebata assim como aqueles amigos que agora se corromperam em ódio e materializam aquilo em um ato hediondo.
Eriksson está agora passível aos horrores de guerra,mesmo com as melhores das intenções ele é incapaz de impedir o inevitável,o ódio que o rodeia,acaba por semear um novo homem que agora possuí um amadurecimento quanto aquele cenário do caos.A cena do estupro talvez seja um dos momentos mais brutais de corrompimento de Eriksson,De Palma filma essa cena com o rosto de Eriksson em primeiro plano e a profundidade de campo permite a nós ouvir os gritos da garota e o ato sendo feito,a desolação no olhar de Eriksson agora o toma de conta.
E é impressionante quanto esses enquadramentos que ele usa são poderosos,as cenas onde Diaz comete o estupro contra sua vontade e após o ato possuem um poder de corrosão de sua índole e o quadro aberto assimila esse sentimento de forma poderosa.As cenas da chuva e até a do assassinato da garota são outros exemplos perfeitos de poder imagético que De Palma trabalha com maestria e a superestilização funciona como elemento propulsor desse poder.O maior problema que tive com a obra é seu terceiro ato,a partir do final do segundo ato,o filme cai bastante e até a duração acaba por se exceder (Mas sem tirar o brilhantismo feito antes disso).
Casualties of War é um filme imperdível de guerra,mais um excelente filme do Brian De Palma em sua excepcional fase oitentista.O poder reativo que o filme provoca é imprescindível,a passividade de Eriksson o transforma em um homem com uma angústia de não ter feito nada,e enquanto isso ocorre o espectador também tem que observar esse sofrimento.Através de uma profundidade de campo e quadros superestilizados primorosos ele alcança um impacto definitivamente estonteante.
De Palma abre o filme com um plano aberto descompromissado dentro de um ônibus e sutilmente aproxima a câmera à um homem desolado - Michael J. Fox - A cabeça próxima ao vidro reflete um outro lado de sua face e ele olha para uma estudante que entra no ônibus.Apesar de ser apenas uma cena introdutória De Palma já se permite ir direto ao campo de guerra graças as cenas brilhantemente introdutórias ao que veremos no restante do longa.
Aliás essa habilidade de superestilizar as cenas que De Palma tem é incrivelmente bem explorada pelo diretor.Casualties of War não é um filme de grandes novidades - O homem atormentado pela guerra - Mas é inegável a agilidade com que o diretor permite trabalhar de forma tão poderosa suas cenas.Ao acompanhar esse personagem o diretor consegue através de simples cenas manter um impacto tão poderoso quanto ao que o personagem de Michael J. Fox tem que enfrentar.
E não é desse filme apenas que De Palma possui um poder de manipulação de sentimentos,aqui ele continua com maestria essa sua qualidade imagética.O percurso em que Eriksson precisa passar é duríssimo,tão ingênuo,aos poucos ele começa a se tornar um veterano de guerra e esse percurso é muito bem idealizado.As cenas do filme andam pouco à pouco para um rumo simples mas bastante poderoso em sentimentalismo.A primeira delas onde um soldado é morto quando menos se espera nos arrebata assim como aqueles amigos que agora se corromperam em ódio e materializam aquilo em um ato hediondo.
Eriksson está agora passível aos horrores de guerra,mesmo com as melhores das intenções ele é incapaz de impedir o inevitável,o ódio que o rodeia,acaba por semear um novo homem que agora possuí um amadurecimento quanto aquele cenário do caos.A cena do estupro talvez seja um dos momentos mais brutais de corrompimento de Eriksson,De Palma filma essa cena com o rosto de Eriksson em primeiro plano e a profundidade de campo permite a nós ouvir os gritos da garota e o ato sendo feito,a desolação no olhar de Eriksson agora o toma de conta.
E é impressionante quanto esses enquadramentos que ele usa são poderosos,as cenas onde Diaz comete o estupro contra sua vontade e após o ato possuem um poder de corrosão de sua índole e o quadro aberto assimila esse sentimento de forma poderosa.As cenas da chuva e até a do assassinato da garota são outros exemplos perfeitos de poder imagético que De Palma trabalha com maestria e a superestilização funciona como elemento propulsor desse poder.O maior problema que tive com a obra é seu terceiro ato,a partir do final do segundo ato,o filme cai bastante e até a duração acaba por se exceder (Mas sem tirar o brilhantismo feito antes disso).
Casualties of War é um filme imperdível de guerra,mais um excelente filme do Brian De Palma em sua excepcional fase oitentista.O poder reativo que o filme provoca é imprescindível,a passividade de Eriksson o transforma em um homem com uma angústia de não ter feito nada,e enquanto isso ocorre o espectador também tem que observar esse sofrimento.Através de uma profundidade de campo e quadros superestilizados primorosos ele alcança um impacto definitivamente estonteante.