Carlos Henrique S.
Filmes
Séries
Programas
Voltar
Código de Conduta
Código de Conduta
4,0
Enviada em 6 de outubro de 2020
Código de Moral

Existe alguma linha que separa o bem e o mal,uma linha que separa diferentes atos de um cidadão de bem à uma pessoa mal caráter.Mas de que serve essa diferença se pela lei que deveria punir atos de má conduta nos enxergam com parcialidade? A justiça realmente prevalece? Esse é um questionamento muito relevante até os dias de hoje.

E Law Abiding Citizen é um filme que trabalha bem o questionamento.É bem verdade que o filme poderia solidificar ainda mais os sentimentos de Clyde,a introdução apesar de ser muito direta,atropela um pouco a fase de sofrimento do Clyde.Mas logo o diretor reforça o senso de injustiça e solidão pelo personagem através de um plano aberto onde os responsáveis pelo caso recebem glórias mesmo não fazendo justiça por completo.É sobre essa impotência do cidadão em perceber que o sistema ainda é falho demais e como existe uma consagração de resoluções muitas das vezes injustas.

O ponto forte do filme é toda a construção do plano de Clyde para suprir sua necessidade:A Justiça.Para mostrar à todos o quão falho ainda é o sistema,é necessário rompê-lo e para isso Clyde precisa atravessar um limite difícil.Para conseguir atender ao seu plano é necessário ser um criminoso,é necessário fazer atitudes grandiosas dignas de um grande criminoso e ainda brincar e humilhar o sistema.E o filme trabalha bem esse campo dos atos de Clyde,o filme nunca justifica os atos dele e por muitos momentos as chacinas - E a cena da fita - Reforçam que aquilo apesar de não ser um crime que busca alcançar mudanças,não é um meio moral e muito menos aconselhável.

Por outro lado existe um elemento catártico muito forte em suas vinganças contra os criminosos que o puseram em estado de loucura - A cena da cadeia é um exemplo de insatisfação com os criminosos e um ato até extremista - Então o diretor sabe equilibrar bem o personagem central,ele equilibra bem suas ações e emoções e apesar de não incentivar ou afirmar atitudes hediondas como correto,ele não o classifica como um vilão,mas como um homem com pelo menos algum proposito.Uma das cenas finais - Cena da bomba - Sinalizam bem a conversão não só sistemática como moral que Gary fez com o Nick.

Mas acredito que aos poucos o F. Gary Gray começa a se divertir um pouco demais com as cenas de explosões e mortes,aos poucos há um certo apreço do diretor com os atos que desfocam um pouco.Além do mais,há uma síndrome em repetir o mais do mesmo arco Família/Trabalho que Nick enfrenta que nunca parece ser algo relevante.

Se a justiça não corresponde ao seu nome e a seu propósito,cabe então alguém alertá-los ou esperar que muitos outros casos sigam um fim injusto.F. Gary Gray não justifica os atos,mas sintetiza o sentimento de ódio e desolação que alimentam uma loucura,que alimentam uma sede por justiça que só será satisfeita quando houver justiça através de uma catarse literal.