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Os Croods são uma família das cavernas, e sua maior prioridade naquele ambiente hostil é sobreviver (meus genes agradecem emocionados). Isso quer dizer que a vida deles, fora o mínimo de alimento buscado com o máximo de esforço, é se trancar em uma caverna escura assim que o sol se põe. Porém, sua filha maior, como toda adolescente, desafia os limites do medo que seu pai impõe. Não que ele seja mau, e é essa a questão que o filme ...
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Assistir um filme do Scorsese, mesmo que acabou de estrear, é ser convidado para os anos 70. O que eu quero dizer com isso é que sexo, drogas, violência e moral serão mostradas sem aquele filtro horrível que infantiliza a nossa época. Curiosamente, se há uma característica que os "heróis" de O Lobo de Wall Street carregam em comum é a imaturidade. Porém, uma maturidade animalesca, que faz jus ao personagem-título.
Desde o começo a ideia de colocar Sylvester Stallone e Robert de Niro de volta ao ringue, no mesmo ringue, parecia um ótimo plot que estava faltando na história do Cinema. O fato de ambos os atores já terem passado do tempo e estarem respirando com dificuldade enquanto um tenta golpear (ou pelo menos enxergar) o outro se torna um bônus, já que o passado de rivalidade que o filme constrói em torno dos dois profissionais (os pugilistas ...
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Os filmes de Joel Schumacher como [Ninguém é Perfeito](/ninguem-e-perfeito) e esse [O Cliente](/o-cliente) primam por chamar a atenção do espectador para o aspecto humano da trama. Aqui, um garoto e seu irmão caçula presenciam um suicídio e têm que arcar com as consequências desse fato judicialmente. Mas não é só isso. A pedra fundamental da trama é a visão de uma criança e do que ela pode fazer para ajudar o irmão em estado ...
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São filmes assim que me revelam como um cinéfilo ainda burro. Mesmo assim, tenho a ousadia de gostar de alguns deles, mesmo sem saber muito bem por quê.
Os créditos iniciais mais uma vez aparecem e com eles mais um filme de Woody Allen: neurose, traição, problemas financeiros. Não há dessa vez a questão existencialista (quando irei morrer?) e essa ausência é por si só uma novidade. A personagem de Cate Blanchett (a Jasmine do título) está mais preocupada em se recompor de sua vida passada como uma madame sem preocupações, o que ironicamente a faz ter constantemente ataques de ...
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Mais um da série "filmes fofos para ver com a família", Peixe Grande explora o conceito da Verdade (que não existe sem uma versão) com um argumento dos mais sensacionais: o que distingue os fatos dos "causos" contados por nossos pais, tios, avós? Um causo é uma série de fatos contada com emoção?
Nunca vi um filme tão alto astral com uma personagem tão... errada. E fascinante. O mundo de Frances é medíocre. Ela é uma dançarina (ou gostaria de ser) e como todo artista que se preza, tenta viver em Nova Iorque. Porém, como sua amiga bem observa, só um artista rico para se manter próximo da Broadway. Acompanhamos, então, suas vissicitudes, inicialmente com sua melhor amiga, que parece ser a única que lhe resta. Ela é ...
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Adoro o livro que Carl Sagan escreveu imaginando como seria, em um mundo realista e atual, nossa primeira comunicação com uma civilização extraterrestre. Ele não apenas fez isso como abriu um pouco mais nosso leque filosófico ao ensaiar uma explicação que unisse ciência e religião, matemática e sentimentos.
Uma história batida, com um ator (e diretor) batido, mas com um argumento instigante e um desenvolvimento que fascina desde o começo: a revista Life ("vida") está no seu fim físico, e um dos fotógrafos mais conceituados envia sua obra-prima para o revelador de películas, que faz isso há uns 15 anos, ou seja, revelar as fotos dos lugares e pessoas mais exóticas. Curiosamente, Walter Mitty (Ben Stiller) nunca viajou para qualquer lugar que ...
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A rotina "solitária" do playboy/ator Johnny Marco (Stephen Dorff), cercado de tietes por todos os lados, mas que não abre mão de uma sessão privada de pole dance protagonizada por gêmeas, e a mudança que vai ocorrendo conforme sua filha Cleo (Elle Fanning) vai participando cada vez mais de sua vida, é mostrada pela lente humanamente aguçada de Sofia Coppola (Encontros e Desencontros), o que dispensa muitos diálogos.
É um filme de temática gay, e isso fica bem claro na forma com que a relação entre Emma e Adèle é explorada em seus preconceitos, diferenças e... sexo. De verdade: ou o sexo é tão primordial ou ele é enfocado de forma tão exaustiva, quase pornográfica, que consegue nos tirar do filme. O diretor Abdellatif Kechiche acertou em cheio ao usar a proximidade da câmera no excelente O Segredo do Grão para determinar uma tensão crescente, ...
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Essa animação natalina japonesa segue os mesmos moldes do ótimo Paprika, também dirigido e escrito por Satoshi Kon e co-dirigido por Shôgo Furuya, que já havia trabalhado como animador em A Viagem de Chihiro (2001). Quando digo os mesmos moldes me refiro à caracterização exagerada e satirizada da realidade que cerca os personagens. As expressões de rosto absurdas, tão comuns no animê, aqui funcionam em parte pelo seu humor e não ...
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Um filme que retrata um solteirão em busca do amor após o falecimento do pai, que se assumiu gay aos 70 anos após a morte da esposa. O elo entre esses dois seres é um cachorro deixado de herança que se comunica por pensamento.
Woody Allen parece dirigir tantos filmes que seus temas começam a girar em torno do seu próprio processo criativo. Se isso fica óbvio no excelente [Desconstruindo Harry](/descontruindo-harry), fica fascinante a manipulação e as críticas desse processo em [A Rosa Púrpura do Cairo](/a-rosa-purpura-do-cairo), onde um dos personagens de um filme sai da tela ao se apaixonar por uma espectadora que viu o mesmo filme por várias vezes.
Bridesmaids poderia ser citado na cinematografia atual apenas por ser uma comédia romântica que tem o foco unicamente nas mulheres e em seu universo feminino. Não há em seu núcleo a busca pelo marido perfeito, pois nossa protagonista não é aquela mocinha inocente que costuma aparecer nesses filmes (e, francamente, depois dos 21 anos seria forçar demais a barra acreditar que uma mulher dessas existiria hoje em dia salvo produções da ...
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Filmes do John Hughes animavam a sessão da tarde com suas comédias fáceis e leves, mas sempre escondiam uma sub-trama sutil que, revisitada, constituía o conteúdo que o torna tão imortal. Em "Antes Só do Que Mal Acompanhado" é a amizade, empatia, compaixão, ou tudo isso junto, que forma a base da narrativa tão coesa da história de um homem tentando voltar para casa e sua família em um momento especial. O que ele encontra pelo caminho ...
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Geralmente quando o Cinema se volta para si mesmo (rendendo boa parte das vezes filmes memoráveis) ele nunca pensa em descrever como o som é importante. Direção, atores, fotografia, trilha sonora, tudo isso parece relevante para o público médio. Mas o som, esse pobre coitado, é renegado à posição de "quanto mais invisível, melhor".
Um drama moral tão bem construído não deveria ser conduzido de forma tão insegura como é feito aqui. A direção de Roger Michell (Um Lugar Chamado Notting Hill, Uma Manhã Gloriosa) combina uma atmosfera de thriller policial com filme de ação e peca justamente ao não nos aproximar dos seus dois personagens quando essa abordagem seria merecida ou necessária.
Assim como em Mundo dos Pequeninos, aqui os estúdios Ghibli fazem o que a Disney/Pixar começa a copiar: pequenas produções sem história desenvolvida para Cinema, mas que ganha a simpatia por usar os mesmos traços conhecidos de produções mais pomposas, como as dirigidas por Miyazaki.
Tokyo Story, ou Era Uma Vez em Tóquio, como seus títulos ocidentais sugerem, é um conto, que se constrói no Japão pós-guerra e faz uma dura crítica à sociedade ocidentalista da época, mas como todo grande filme se torna atual mesmo 50 anos depois pelas suas mensagens eternas sobre vida e família.
Stanley Kubrick era conhecido pela dedicação sobre-humana em seus projetos, fazendo com que vários deles se estendesse por anos a fio. Esse preciosismo é o que gerou trabalhos debatidos até hoje como se tivessem sido lançados nessa semana, denotando a aparente imortalidade de suas obras. Em Barry Lyndon, ao pretender contar a história do personagem-título, mas que está inserido em uma época sem eletricidade, resolve utilizar apenas a ...
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Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança) mostra mais uma vez saber usar os planos-sequência longas cenas sem corte como uma ferramenta narrativa em vez de um mero estilo exibicionista. Usando o movimento giratório da câmera para impor o ritmo e precisando de pouquíssimos cortes e ainda assim extremamente orgânicos somos levados a uma experiência angustiante em torno da órbita da Terra, o que me pegou despreparado e a ponto de ...
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Uma fuga de nossa cultura vigente às vezes faz bem. Curioso constatar que, mesmo imersos na rotina, crenças e cânticos da religião judia ortodoxa, os mesmos dramas humanos se configuram.
Após uma revisita ao filme-gêmeo de Shaolin Soccer, ambos exploram esse conceito do Kung-fu extrapolado ao cotidiano, a sensação é de um frescor de ingenuidade e violência comparados a Kick Ass (e não me admiraria que este fosse inspirado naquele). Só pelo fato da violência existir com mortes e essas mortes serem relevantes para estabelecer o peso da tensão em um filme que obviamente é uma comédia já mereceria créditos de sobra.
Este não é simplesmente um musical que utiliza a trilha sonora dos Beatles. Across the Universe respira as influências da banda desde seu título até o final, recriando diversos momentos de sua "antologia" (real ou ficção) e fortalecendo suas obras em um contexto narrativo que, ainda que frágil em diversos momentos, mais do que compensa essa revisita ao universo criado e vivido por John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison.
Diferente do que poderíamos imaginar, a direção precisa, acelerada e gore de James Wan em Jogos Mortais não apresenta comparações neste Invocação do Mal, que se insere no gênero de horror realizando pequenas homenagens de obras icônicas enquanto ensaia um estilo visual mais agradável ao público de hoje.
Com o mesmo diretor do ótimo Distrito 9, poderíamos esperar mais uma ficção científica que honre o gênero, apresentando um futuro distópico que remeta diretamente a questões sociais do mundo atual. De certa forma, isso acontece, abordando mais uma vez o abismo existente entre pobres e ricos em um mundo pós-crise. No cenário do filme, a superpopulação/superpoluição/supercaos fazem com que a elite econômica do mundo se reúna e se ...
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Aquele tipo de filme que não caminha para o melhor nem para o pior. Sua falta de ambição e sensualidade destoam completamente dos burburinhos e do sucesso escandaloso do único trabalho pornográfico protagonizado por Linda Lovelace (Amanda Seyfried), Garganta Profunda, que representou para muitos um marco na revolução sexual da época, enquanto para outros o renascimento do pornô como "Cinema".
Muitas vezes as comédias televisivas que passam no Cinema, às vezes, nem antes da própria TV, atraem o público pelas boas piadas e pelo ótimo (e desperdiçado) elenco. No caso de [Se Puder... Dirija!](/se-puder-dirija) o único foco parece ter sido fazer um filme com uma história suficiente para prencher um bloco do Zorra Total e utilizar a propaganda de ser o primeiro live-action em 3D, e o fato de que será lembrado por isso torna as ...
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O tema "polêmico" de Flores Raras não existe há muito tempo, e apenas as mentes reduzidas de nossa época, que infelizmente não são poucas, irão enxergar qualquer anomalia no fato da história girar em torno de um triângulo amoroso entre três mulheres: Mary (Tracy Middendorf), a arquiteta Lota (Glória Pires) e a poetisa Elizabeth Bishop (Miranda Otto), todas encapsuladas em tramas tridimensionais. Sensível e inteligente, Bruno Barreto ...
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Talvez o fato do filme sobre Edward D. Wood Jr., o pior diretor de todos os tempos (eleito dois anos após sua morte), ser um dos melhores do diretor Tim Burton, acostumado a flertar com o gênero, seja algo inesperado, mas ainda assim propício para um tema tão metalinguístico. Além de ser a homenagem devida ao diretor trash mais cultuado de sua geração (ou talvez de toda a história do Cinema) o longa de Burton mergulha fundo na atmosfera ...
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Adoro filmes que me surpreendem. Melhor ainda quando eles começam não prometendo quase nada. É o caso desse "Meu Passado me Condena" (Victim no original), que inicia como um thriller nada original, caminha por estradas tortuosas do gênero para finalmente se definir no terceiro ato com seu momento glorioso que nos faz voltar desde o começo e entender que nada do que parecia era exatamente como se supunha.
Ao contrário de Homem de Aço, que apesar de voar se esforça em manter seus dois pés no chão da realidade, Círculo de Fogo parece navegar por outras águas, sempre disposto a impulsionar sua fantasia em direção daquele mundinho que habita nossa mente de criança (espero que você ainda a tenha) em busca de desafios cada vez maiores para nossos gigantes heróis.
Almodóvar volta às suas origens das divertidas comédias dramáticas voltadas para personagens homossexuais, videntes e todo o tipo de intriga novelesca. Aliás, a diferença vital entre novelas televisivas e Almodóvar é que este conta uma história como ninguém (e geralmente assina o roteiro).
Até um filme amador com a premissa de strippers que são infectadas por um vírus desenvolvido pelo governo Bush e que transforma pessoas em zumbis pode ter algo de bom. E há. Em determinado momento da "trama", uma zumbi que lê Nietche (!) se lembra de um momento em que dormia em cima da neve e observada as estrelas. Agora, já morta, se considerava parte daquele universo inanimado e infinito, e tudo fazia sentido agora. Essa passagem tão ...
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