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Xavier Dolan é um menino prodígio que, desde os cinco anos atua e desde os vinte se envolve com direção e roteiro de seus fimes de temática adolescente com uma abordagem intensamente poética. Este seu primeiro filme, Eu Matei Minha Mãe, foi escrito por ele aos dezesseis anos e é parcialmente auto-bibliográfico.
Mais um reboot de uma história já recontada milhares de vezes em forma de desenho, live-action e que foi no começo uma peça adaptada para um romance. Pelo jeito a história do menino que não cresce nunca é fascinante pelo universo criado em torno dele. Infelizmente este novo Peter Pan não consegue ser tão ambicioso quanto as pretensões do mundo de fantasia, se limitando em sua narrativa em caminhar pelos caminhos seguros já marcados ...
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O que acontece quando um diretor/roteirista narcisista resolve criar um herói em seu filme de estreia que é um autista narcisista e ele começa a conjecturar as possibilidades futuras do relacionamento com uma garota que acabou de conhecer, e no processo tenta subverter alguns clichês de linguagem cinematográfica contemporâneo tentando soar muito, mas muuuuito mais inteligente do que verdadeiramente é?
Três anos. Apenas isso, e termina o contrato entre Lunar, uma corporação que domina o ramo de energia na Terra, e Sam (Sam Rockwell), o trabalhador solitário da estação de coleta de Hélio 3 na Luz. Como única companhia, Sam dispõe de GERTY (Kevin Spacey), um computador que reconhece a voz e o sentimento do astronauta. Em "Lunas", curiosamente, a única voz amiga do ser humano é um programa cibernético.
Cronenberg, um diretor geralmente fascinante (Terapia de Risco), por algum motivo, dirigiu um filme burocrático que conta a história de amizade entre Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (Michael Fassbender) como um documentário da BBC. No meio envolve a russa judia Sabina Spielrein (Keira Knightley), de paciente para amante e posteriormente médica.
O terror atual se estabelece como uma repetição exaustiva da fórmula da Bruxa de Blair (de 99) "refinado" por seus trabalhos mais caseiros no estilo Atividade Paranormal (de 2007). Tudo que gira em torno desse micro-cosmos são pequenas variações do mesmo tema. Sempre foi assim e sempre será. De vez em quando temos uma surpresa, mas geralmente ela demora a chegar.
Uma comédia pautada no absurdo, mas que ancora suas situações em neuroses realistas nos colegas de uma empresa. No entanto, tais neuroses nunca seriam expostas por pessoas reais, e a beleza de [O Grande Chefe](/o-grande-chefe) é justamente deixar fluir o comportamento humano até suas últimas consequências, enquanto ironicamente o comportamento de um ator medíocre é analisado sob a ótica da incompetência.
Um _indie_ por natureza, apresentado em uma Nova Iorque de maquete com textura surreal, colorido todo o tempo com uma extensa e agradável trilha sonora, protagonizado por atores em sua maioria completos desconhecidos e, para salpicar ainda mais, recheado de cenas de sexo reais, por casais, trios e grupos inteiros.
Nietzsche havia alertado aos pensadores mais livres já no século XVII: deus está morto. Hoje, de uma maneira irônica, um movimento encabeçado por cristãos anuncia aos quatro ventos: foda-se a lógica!
Quando se fala em fazer um filme _trash_, o diretor Robert Rodriguez não brinca em serviço. [Planeta Terror](/planeta-terror), o filme-parceiro do projeto Grindhouse criado por ele e Tarantino -- em que cada um realiza um filme com essa proposta de filme antigo Lado B -- é um exemplo de filme ruim que é ruim por ambos os motivos: o real e o imaginado. Porém, para realizar este feito ele precisa percorrer o destino de diferentes personagens ...
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Uma experiência religiosa ou uma auto-descoberta sexual? Uma visão romântica de nossas diferenças de princípios ou um drama que tenta soar engraçado? Se sentindo com múltiplas personalidades, C.O.G. pode muito bem se apresentar como uma visão religiosa do mundo, pois usa a maçã como uma espécie de símbolo do pecado (e da tentação) e mantém em sua história uma estrutura esquizofrênica tão conhecida dos religiosos mais fanáticos.
Uma comédia, ou suposta comédia, sobre nazistas que fogem para a Lua no final da guerra e vivem lá planejando um ataque à Terra, até que dois astronautas, sessenta anos depois, voltam a pisar em solo lunar e um deles se torna cobaia para experimentos de um cientista maluco nazista. Infelizmente esse rapaz é negro.
"Home" não tem coragem suficiente para elevar todas suas ideias à terceira potência, mas pelo menos evita ser engraçadinho demais e consegue colocar uma história em um patamar digno. Levando a atual tendência de questionar a autoridade e de se preocupar com o próximo, conhecemos uma raça alienígena que segue um líder (Steve Martin), nos mesmos moldes do rei Julian de Madagascar, e se descaracteriza a partir de um guia informal de como ...
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É este o "pior filme de todos os tempos", como foi votado no livro do crítico Michael Medved? É óbvio que não. Qualquer lista sobre qualquer coisa sobre Cinema está fadada a 1) estar incompleta e 2) estar errada. Dessa forma, nunca poderemos falar do melhor ou do pior sem nos esquecermos que ninguém nunca viu todos os filmes do mundo, e portanto sempre haverá piores filmes que nunca foram vistos. Além do que, se você lembrar do item 2, ...
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Este filme possui um conceito interessante com pouco substrato. São pessoas interagindo com uma pintura futurista ao fundo. Quando tudo termina, não há conflito, mas a concretização do que já se esperava no começo.
Seven Chances é um filme de uma hora de Buster Keaton que mais uma vez consegue a proeza de contar uma história datada, fútil e banal da maneira mais prosaica, mais hilária e mais movimentada possível.
Em menos de uma década a vida do diretor Roman Polanski (Chinatown, O Escritor Fantasma) virou de cabeça pra baixo. O ano é 1969, quando estava sendo produzido O Bebê de Rosemary, e sua mulher foi brutalmente assassinada em um ritual satânico. Polanski então muda de país, e acaba sendo acusado de estuprar uma garota de 13 anos. Permanentemente banido dos EUA, o local mais puritano da Terra onde isso poderia ter acontecido, passa a produzir ...
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"Que Horas Ela Volta" tem a virtude de conseguir se tornar um filme essencial para a discussão contemporânea e ao mesmo tempo se entregar a uma cartilha retrógrada que é usada a cada momento como combustível para uma esquerda brasileira (igualmente retrógrada) com sede de vingança e miopia de caráter.
A premissa por trás de "Adaline" é muito interessante, como toda ficção científica bem imaginada costuma ser. O filme, aliás, possui diversos pontos altos em sua história. Porém, o novelão romântico ao qual ele se entrega não deixa de incomodar durante todo o tempo, fazendo com que uma experiência fascinante vá aos poucos nos lembrando das velhas fórmulas de fazer romance com um drama genérico.
Filme que faz uma crítica (válida) ao sistema de imigração francês, mas ao mesmo tempo flerta com a mistura de culturas e experiências. Tenta abraçar o mundo com essa ideia, dá seus tropeços por causa disso, mas ainda mantém sua força dramática nos ombros da sempre competente atuação de Omar Sy (Intocáveis), que faz o papel de um trabalhador africano ilegalmente por 10 anos, e que mesmo assim é preso e condenado a sair do país ...
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Serpico é mais um filme que se aproveita ao máximo da _persona_ de Al Pacino. Um "Bons Companheiros" versão policial do diretor Sydney Lumet, que iria também trabalhar com o ator em Um Dia de Cão. Aqui ele interpreta Frank Serpico, um policial que descobre que um sistema de coleta de propinas existe aparentemente em todos os departamentos de polícia de Nova Iorque -- ou pelo menos em todos em que ele passa -- e não consegue se desvencilhar ...
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Fui ver a cabine desta ótima comédia dramática Israelita/Alemã que fala sobre a eutanásia. Parece um tanto ridículo que esse tema ainda seja tabu. Por algum motivo que me escapa, a ilusão da cura ou o desejo de continuar com o ente querido vivo não parece para as pessoas como um ato egoísta, mas como um ato de caridade. Houve uma inversão histórica que desde o século passado nega o "ato de misericórdia" para os desafortunados de ...
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Esse filme foi o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, além de indicado a melhor roteiro original. Ele também está aí para provar como falso esse preconceito de "filme iraniano" como sinônimo de filme parado, difícil, do tipo que só os críticos gostam.
Não é de hoje que acompanho o ótimo desempenho de Paul Dano e sua ascenção desde Pequena Miss Sunshine. Dotado de uma feição característica, sua figura simpática e ingênua soa familiar na maioria dos seus filmes em que é o mocinho. Porém, o que mais gosto nele são seus trabalhos como vilão (Sangue Negro, 12 Anos de Escravidão, Os Suspeitos), pois sua feição "característica" adquire uma função muito mais efetiva: a vontade de socar a sua cara.
Numa Escola de Havana é o trabalho quase que liberal do diretor/roteirista Ernesto Daranas. Ele se beneficia dos frutos em elencar uma equipe de atores competentes e inseri-los em uma história de libertação em pleno coração do comunismo nas Américas. Sutil do começo ao fim, pode parecer que é um filme equilibrado, cujo ponto de vista depende de quem estiver assistindo. Porém, basta observar a cena inicial, em que o pequeno Chala ...
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Este é o primeiro filme dirigido por André Moraes, compositor que esteve envolvido naquele desastre chamado Assalto ao Banco Central. Aqui ele dirige, escreve e co-produz uma suposta comédia que se traveste de _road-movie_ com uma dramatização que torna o resultado final meio bipolar.
A atriz Sylvie Testud dirige este longa com a sempre interessante Juliette Binoche no papel de Marie Speranski, uma mulher que após encontrar o amor de sua vida e dormir com ele acorda 15 anos depois, não se lembrando de nada que viveu por todo esse tempo. Apesar da maquiagem atrapalhar um pouco a transição, é a interpretação intensa de Binoche que nos faz acreditar nessa transição, em um filme que mescla comédia e drama de maneira um ...
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O que é ser humano? Embora essa questão se torne vital nos últimos minutos de 1984, ela permeia toda a história desenvolvida visualmente no filme e que é pesadamente baseado na literatura clássica de George Orwell. Sua visão de "futuro" distópico, influenciada por uma guerra autoritária e desumana, se torna um tema grandioso demais para se justificar apenas como um "filme de política". É, antes de tudo, um filme sobre nossa própria existência.
Continuação que pretende sempre fazer uma cena de reencontro com todo mundo do filme original que reaparece. Abraços, beijos e nada a acrescentar (nem um "ei, você engordou!").
Construído como um clássico fortemente inspirado em Super-Homem de Richard Donner, o debut de Sam Raimi peca por imitação enquanto acerta em todo o resto. "Com grande poder vem grandes responsabilidades" diz menos sobre o garoto picado por uma aranha e mais sobre o homem que o dirige.
Uma aventura narrada por traços que revelam o que mais importa em seus personagens: o "eu" interior, ou seja, as expressões que os tornam tão únicos quanto complexos. Porém, nunca simplificados, mesmo se tratando de um conto. Aliado a isso, uma música de poucos toques usada nos momentos exatos transforma a experiência em uma imersão completa na moral milenar oriental. Em suma: um desenho imperdível para adultos (e talvez assustador para ...
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O que fizeram com aquele curta-metragem tão criativo em que bastavam dois minutos para explorar 100% de um conceito? Talvez o nome Adam Sandler resposta essa questão.
Até que não incomoda tanto o fato de Sem Segurança Nenhuma não se esforçar para sair de sua própria mediocridade, pois é possível constatar durante todo o trajeto guiado pela tensão de sua premissa inicial (a viagem no tempo) que há algo de agradável em sua eloquência, mesmo que seus personagens sejam batidos, suas histórias sejam clichês e suas piadas, assim como o melancólico Regular Show, tenham viajado para o presente direto dos anos 80.
Imagine que o mundo real foi invadido pela física (e a lógica) dos desenhos de animação no seu sentido mais bucólico. Onde a paixão é o suficiente para desenrolar qualquer novo relacionamento, e a dança é o suficiente para alterar as paredes de um quarto. Imagine, enfim, que estamos em um filme completamente tomado pelas loucuras inventivas de Michel Gondry.
O trabalho de Lúcia Murat, de Brava Gente Brasileira, já se torna relevante uma vez que é um documentário que brinca com uma ficção dirigida por ela mesma 15 anos atrás, antes da vinda da tecnologia na aldeia dos Kadiwéus, o último povo guerreiro indígena em solo brasileiro, que já tendo sua cultura destroçada pela TV e religião brancas, agora corre o risco de ter suas terras completamente tomadas por fazendeiros, já que o governo ...
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Essa é comédia britânica estilo anos 80, mas foi filmada em 2001. Passou no SBT (TV aberta) essas noites, por conta do falecimento de Omar Shariff esse mês. Shariff participa pontualmente, pois o "astro" é Steve Coogan, quase um sócia de Steve Carrel, mas que depende mais de gags. Coogan, pode-se dizer, manda bem.