Leila L.
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Noé
Noé
4,0
Enviada em 4 de março de 2019
Passado o meu preconceito inicial em relação as primeiras cenas de seres fictícios, anjos caídos e materializados em grandes e odiosos monstros de pedra, eu aceitei a narrativa e pude aprender muito com o filme.

Há diversos temas morais e espirituais na narrativa.
A relação dos homens com a terra é bem representada entre o grupo que descende de Caim e de Adão.

O primeiro antropocêntristas, com uma visão de sua própria imagem como a imagem do próprio Criador, e por isso superior as demais espécies, (representados como carnívoros, a carne crua e o sangue em muitas cenas), dono de seus próprios desígnios.
Acabam por dominar e destruir toda a terra, exaurindo seus recursos e implantando o caos (que eles mesmos provocaram, e não reconhecem, acham que é castigo divino).

Já o segundo, são fiéis, reconhecem a grandiosidade do Criador, são obedientes à vontade divina, respeitam as demais vidas e são onivoros. Neste caso o personagem sempre elenca "Não faço o que quero, faço o que devo fazer", ou seja, não é dominado pelos seus anseios mas pela vontade do criador, são humildes e equilibrados, usam o que necessitam da terra (a cena do pai explicando a floração de uma pequena flor, sutil e belíssima).

Há um embate entre representantes da vontade divina e da vontade do homem. A figura de Matusalem é algo à parte, como um elfo envolto em sabedoria.

O mais interessante é que estas duas forças então dentro de nós, destrutivas e regenerativas, o bem e o mal, caos e cosmos, ying e yang, céu e terra, água e fogo.

Eis o tema central da historia biblica, o mundo em dilúvio já que o homem havia destruído a terra pelo fogo, deus a regenera pela água...há outros inúmeros detalhes, mas até aqui vale o comentário.

Não é uma reprodução da história bíblica, mas uma adaptação, muito bem pensaa por sinal.
A parte técnica e gráfica é o que há de menos relevante a meu ver.