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Assassinos por Natureza
Assassinos por Natureza
5,0
Enviada em 12 de fevereiro de 2016
Um filme para ficar cravado na sua memória. Se fosse lançado atualmente, nenhum estúdio gostaria de divulgá-lo, devido à tudo que foi filmado.

Oliver Stone consagrou-se ao realizar esse calidoscópio de violência extrema e gratuita, cuja história foi escrita pelo mestre Quentin Tarantino. Tem fã que gostaria que o 1º roteiro escrito por ele, que é muito melhor que o do Stone. Sendo assim, foi lançado um livro o com primeiro roteiro, sob a batuta do Mestre Tarantino.

Esqueça os filmes que Stone ficou famoso (mesmo ele ter ganhado três Oscars com Platoon, Expresso para a Meia-noite e Nascido em 4 de Julho), pois ele deve ter ficado chapado de tanta droga ilícita, no melhor estilo Peckinpah, ao filmar Assassinos Por Natureza.

Woody Harrelson e Juliette Lewis estão impecáveis nessa epopéia, ao darem suas vidas amaldiçoadas para interpretarem Mickey e Mallory Knox. Esse casal herdou de Bonnie & Clyde o desejo de fazer justiça (ou injustiça?), ao rodarem os Estados Unidos com um único objetivo: matar, matar e matar tudo e todos.

Vendo esse filme dá para sacar que nada mudou em nossa cultura, em pleno século XXI. Porém, não podemos culpar Stone por sua crítica à banalização da mídia, ao abordar a violência. Dá pra ver a cara de nóia dos americanos, tratando o casal como popstars, chegando na calçada da fama, para uma premiére. Bando de ovelhas cegas! Aqui no Brasil não é diferente, pois vemos isso todos os dias em programas, como o do Datena e do Marcelo Rezende. Sempre glorificando os bandidos e culpando a justiça.

Várias cenas nos faz ficar sentados em suas poltronas e deliciar a história dos dois pombinhos, desde a satírica comédia sobre como se encontraram, até imagens de desenhos animados, em que Mickey corre para salvar a sua amada, até a parte em que eles matam os pais da Mallory. Rodney Dangerfield faz o pai cafajeste dela. Dá vontade de cortar o pau desse velho safado!

Michael Madsen e Brad Pitt recusaram o papel de viver Mickey, que foi muito bem representado por Woody. Ótima atuação, que deixaria Malcolm McDowell e Jack Nicholson orgulhosos. Já Juliette enterrou aquela menina assustada em Cabo do Medo, para se firmar na sétima arte, como a boca suja e xiliquenta Mallory. Parece a Tetê Espíndola!

Tom Sizemore é o tira Jack Scargnetti, especialista em psicóticos. Desprezível, sarcástico e nojento. sua maior ambição é trepar a Mallory. Juliette quebrou o nariz de Tom na cena da cela. Tommy Lee Jones mantém seu jeito durão como o tira implacável de O Fugitivo, para dar corpo como o diretor Dwight McClusky, com aquele bigodinho fino, cabelo feito com gel e terninho. Simplesmente insuportável e sem senso de justiça.

MAS... quem rouba a cena mesmo é Wayne Gale, um repórter de TV que aproveita da sede de sangue do casal para conquistar a audiência americana. Ao realizar a entrevista de Mickey na prisão, teve que interromper o Super Bowl! Fala sério, belíssima interpretação de Robert Downey Jr. Com certeza, o melhor papel de sua carreira, antes de se tornar o Homem de Ferro e Sherlock Holmes, anos depois.

São duas de horas de podridão, mais de 50 mortes, 56 dias de filmagens, 150 cenas cortadas ou refeitas, onze meses de edição, orçado em US$ 50 milhões.

Várias imagens fazem menções ao clássico Laranja Mecânica, como a mãe de Mallory, que possui o cabelo azul. O irmãozinho dela (que é filho do diretor) sai do quarto após o massacre, com o olho esquerdo tatuado, em homenagem ao Alex DeLarge. Já a entrevista de Mickey na prisão foi inspirada na famosa e verídica conversa de Charles Manson à uma TV norte-americana.

Teve parlamentar que proibiu a exibição do filme, pela violência explícita, mesmo sem ter visto o filme. Na Irlanda, foi exibido sem divulgação prévia.

Realmente, o épico coberto de sangue, um dos melhores filmes dos anos 90. Juntamente com o magnus opus Pulp Fiction, Assassinos Por Natureza deveria esta na prateleira da seção de comédia. Mesmo que a crítica não dê atenção.