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Eu gosto muito de Almodovar. É se não o meu preferido, um dos com certeza. Sempre defendi seus filmes por traçarem a psicologia feminina como nenhum outro consegue, por enfatizar dilemas e questões de mulheres, por saber captar de forma magistral a sensibilidade feminina. O maior exemplo disso está em Volver, talvez. No entanto, em relação a Ata-me, não consigo ver história de amor nesse filme, apenas vejo história de abuso. Um homem que obriga uma mulher a ficar amarrada na cama para que ela se apaixone por ele não é amor, é abuso. É a história de um sequestro seguida de síndrome de estocolmo. Mais uma vez a única vontade que vale é a do homem, sua voz é a única ouvida. Mesmo sendo Almodovar, que eu amo demais, romantizar abuso passa longe daquilo que eu espero do cinema e da televisão.
Acho problemático esse tipo de filme porque reproduz velhos sensos comuns de que mulheres gostam de ser maltratadas, gostam de apanhar... Como dizemos para os homens que você não deve bater, amarrar ou sequestrar sua mulher depois de Ata-me?
Apesar disso, a direção e a atuação nos fazem entrar no filme, e tentamos o tempo todo solucionar o caso para tirar Marina daquela situação. Nos colocamos no lugar dela e tentamos imaginar o que nós faríamos se estivéssemos em seu lugar. Um bom filme, que não pode ser visto apenas como um romance ou história de amor.
Acho problemático esse tipo de filme porque reproduz velhos sensos comuns de que mulheres gostam de ser maltratadas, gostam de apanhar... Como dizemos para os homens que você não deve bater, amarrar ou sequestrar sua mulher depois de Ata-me?
Apesar disso, a direção e a atuação nos fazem entrar no filme, e tentamos o tempo todo solucionar o caso para tirar Marina daquela situação. Nos colocamos no lugar dela e tentamos imaginar o que nós faríamos se estivéssemos em seu lugar. Um bom filme, que não pode ser visto apenas como um romance ou história de amor.