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Apesar de muitos acharem que Woody Allen ligou o piloto automático, é impossível não reconhecer o conteúdo tão atípico de se ver na maioria dos filmes. Neste longa metragem ele constrói a base do filme na teoria kantiana, e trabalha o tempo todo falando da moral do ser humano, sem deixar de lado o texto existencial. Porém ao mesmo tempo que ele destila seu lado pessimista, ele vai de encontro a esse seu lado sombrio para dizer o quanto o ser humano é importante na sociedade contemporânea e que seu valor moral e ético deve prevalecer. A mudança não está na organização de pessoas em um grupo, mas sim primeiro no indivíduo como um ser introduzido em uma sociedade amoral em que os valores se perderam.
Abe Lucas (Joaquin Phoenix) é um professor de filosofia que ingressa em uma faculdade após um longo período em que não lecionava. Sua fama o precede. Ele ao mesmo tempo que é reconhecido no meio acadêmico, tem ideias que não são aceitas pela maioria. Ele vive um período de depressão e ao começar a lecionar conhece a professora Rita (Parker Posey) que incessantemente tenta leva-lo para a cama e se torna amigo da aluna Jill (Emma Stone) que segundo ele apresenta boas ideias em seus trabalhos filosóficos.
Kant foi um filósofo que misturou a teoria dos empiristas com a dos racionalistas. Ele disse que ambos estavam corretos, pois o ser humano é o conjunto de suas experiências com sua própria razão. Esta última é importante porque deixa marcas na nossa percepção de mundo. Além disso ele dizia que todas as pessoas possuem uma razão pratica, uma capacidade racional que nos diz o que é certo ou errado na esfera moral e que esta antecede toda e qualquer experiência. Então, ao terminar de assistir ao filme percebemos o quanto ele quis dizer com o seu título. Lucas é a antítese no que tange ao homem racional segundo Kant. Logo no início ele já cita seu ponto de vista contrário a teoria kantiana. Mais uma vez Allen estabelece o filme de forma genial através de um roteiro conciso e uma montagem eficiente, em que rapidamente nos envolve e nos instiga a querer conhecer mais todos os personagens.
Durante o filme percebemos que o roteiro funciona como um gráfico em que os personagens de Abe e Jill tem seus valores em uma correlação negativa. Isso muito ligado ao sentido moral em que Kant já havia falado. Durante a projeção assistimos a um Abe moralmente abatido com o ser humano e a mesmice da vida. Sua vida não tem mais sentido e suas atitudes para melhorar o mundo não fizeram nenhum efeito, sempre massacrado por aqueles que detinham o poder. Seu senso ético foi apagado durante o tempo até que ele vê como solução seu lado mais instintivo se sobrepor a qualquer senso ético/moral e então sua amoralidade vem à tona. Em contradição temos Jill que começa com seu senso amoral mais a flor da pele, seu lado mais instintivo se sobressaindo até chegar a sua decisão moral.
Ao longo do filme assistimos à Abe falar sobre suas visões de mundo e a falta de crença na humanidade. Em certo momento ele diz que não adianta pensar ou desejar algo para o outro ser humano. Se deseja algo tem que agir. Então ao desenvolver o filme Allen consegue explanar sua tese da ausência de algo que nos conduz em nossa vida terrena (nesse ponto ele fala do acaso que controla nossa vida), que a humanidade está a caminho de um precipício conduzida pelas pessoas moralmente duvidosas e que antes de se pensar em realizar uma mudança através de uma manifestação de um grupo, a mudança tem que acontecer primeiro na moral humana que possuindo uma amoralidade velada ou uma falsa moral acaba conduzindo tudo para o naufrágio.
Tecnicamente o filme consegue que os atores tenham aquela atuação padrão Woody Allen. Não um destaque (e até certo ponto Joaquin Phoenix cai como uma luva para o tipo de personagem), mas todos estão bem comprometidos com o filme. O design de produção no tocante ao figurino compõe bem o personagem de Phoenix, porque seu aspecto é de uma pessoa realmente depressiva e largada. Há cenas interessantes e bem enquadradas. Ainda como destaque as citações que o roteiro faz sobre a criação de mitos pelas histórias contadas também não poderia deixar de ser citado. Um único ato que não combinou tão bem com o filme foi a narração da história em certos momentos por parte de Abe Lucas, mas que não afeta tanto já que não é o verdadeiro fio condutor da trama
Filmes como O Homem Irracional são raros por possuírem algo tão rico em apenas noventa e cinco minutos. O filme é conciso, eficiente com um humor (negro) refinado. Mais uma boa nota musical na carreira do cineasta. Por fim fica o recado que ainda existe uma chance para a humanidade e que há uma luz (aqui entra a lanterna) em meio a tanta escuridão.
Abe Lucas (Joaquin Phoenix) é um professor de filosofia que ingressa em uma faculdade após um longo período em que não lecionava. Sua fama o precede. Ele ao mesmo tempo que é reconhecido no meio acadêmico, tem ideias que não são aceitas pela maioria. Ele vive um período de depressão e ao começar a lecionar conhece a professora Rita (Parker Posey) que incessantemente tenta leva-lo para a cama e se torna amigo da aluna Jill (Emma Stone) que segundo ele apresenta boas ideias em seus trabalhos filosóficos.
Kant foi um filósofo que misturou a teoria dos empiristas com a dos racionalistas. Ele disse que ambos estavam corretos, pois o ser humano é o conjunto de suas experiências com sua própria razão. Esta última é importante porque deixa marcas na nossa percepção de mundo. Além disso ele dizia que todas as pessoas possuem uma razão pratica, uma capacidade racional que nos diz o que é certo ou errado na esfera moral e que esta antecede toda e qualquer experiência. Então, ao terminar de assistir ao filme percebemos o quanto ele quis dizer com o seu título. Lucas é a antítese no que tange ao homem racional segundo Kant. Logo no início ele já cita seu ponto de vista contrário a teoria kantiana. Mais uma vez Allen estabelece o filme de forma genial através de um roteiro conciso e uma montagem eficiente, em que rapidamente nos envolve e nos instiga a querer conhecer mais todos os personagens.
Durante o filme percebemos que o roteiro funciona como um gráfico em que os personagens de Abe e Jill tem seus valores em uma correlação negativa. Isso muito ligado ao sentido moral em que Kant já havia falado. Durante a projeção assistimos a um Abe moralmente abatido com o ser humano e a mesmice da vida. Sua vida não tem mais sentido e suas atitudes para melhorar o mundo não fizeram nenhum efeito, sempre massacrado por aqueles que detinham o poder. Seu senso ético foi apagado durante o tempo até que ele vê como solução seu lado mais instintivo se sobrepor a qualquer senso ético/moral e então sua amoralidade vem à tona. Em contradição temos Jill que começa com seu senso amoral mais a flor da pele, seu lado mais instintivo se sobressaindo até chegar a sua decisão moral.
Ao longo do filme assistimos à Abe falar sobre suas visões de mundo e a falta de crença na humanidade. Em certo momento ele diz que não adianta pensar ou desejar algo para o outro ser humano. Se deseja algo tem que agir. Então ao desenvolver o filme Allen consegue explanar sua tese da ausência de algo que nos conduz em nossa vida terrena (nesse ponto ele fala do acaso que controla nossa vida), que a humanidade está a caminho de um precipício conduzida pelas pessoas moralmente duvidosas e que antes de se pensar em realizar uma mudança através de uma manifestação de um grupo, a mudança tem que acontecer primeiro na moral humana que possuindo uma amoralidade velada ou uma falsa moral acaba conduzindo tudo para o naufrágio.
Tecnicamente o filme consegue que os atores tenham aquela atuação padrão Woody Allen. Não um destaque (e até certo ponto Joaquin Phoenix cai como uma luva para o tipo de personagem), mas todos estão bem comprometidos com o filme. O design de produção no tocante ao figurino compõe bem o personagem de Phoenix, porque seu aspecto é de uma pessoa realmente depressiva e largada. Há cenas interessantes e bem enquadradas. Ainda como destaque as citações que o roteiro faz sobre a criação de mitos pelas histórias contadas também não poderia deixar de ser citado. Um único ato que não combinou tão bem com o filme foi a narração da história em certos momentos por parte de Abe Lucas, mas que não afeta tanto já que não é o verdadeiro fio condutor da trama
Filmes como O Homem Irracional são raros por possuírem algo tão rico em apenas noventa e cinco minutos. O filme é conciso, eficiente com um humor (negro) refinado. Mais uma boa nota musical na carreira do cineasta. Por fim fica o recado que ainda existe uma chance para a humanidade e que há uma luz (aqui entra a lanterna) em meio a tanta escuridão.