Marcio S.
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Para Sempre Alice
Para Sempre Alice
4,0
Enviada em 14 de agosto de 2015
O filme do gênero drama quando bem realizado consegue nos envolver de maneira que o choro já vem de forma normal. Por exemplo, As Invasões Bárbaras nos emociona sem apelar. Agora, há filmes que querem nos dar uma verdadeira rasteira emocional e o que resta a quem não consegue resistir é se debulhar em lagrimas em vários momentos da projeção. A cena já está nos impactando emocionalmente, mas a música tem que entrar para impactar mais. Simplesmente Alice quase caiu nesse erro e poderia ter se tornado um filme melodramático demais. Mas os diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland apesar de escorregarem levemente nesse quesito utilizam a câmera de maneira simples e inteligente, conseguem boas atuações e promovem um filme emocional ao extremo.
Alice (Julianne Moore) é uma professora famosa que dá aulas para uma universidade e é especialista em linguística. Ela é casada e tem três filhos. Após se esquecer de algumas palavras resolve procurar um médico. Depois de alguns exames é constatado que ela tem Mal de Alzheimer e que além de ser algo precoce ela pode ter passado para seus filhos, pois é hereditário.
Para Sempre Alice consegue nos envolver com o drama da protagonista e tem uma narrativa bem conduzida. Julianne Moore é o centro do filme, não só por ser a protagonista, mas sim por sua atuação. Sua Alice tem um carisma que envolve o espectador sem precisar ser cool. Ela é uma pessoa comum, de nosso dia-a-dia. A câmera tem também seu papel. Ela destaca nossa protagonista e nos envolve em seu drama. Logo no começo os diretores a destacam dos outros personagens. Ela é o centro de tudo e de todas as pessoas. Seu sorriso é fácil e nos conquista logo naquela primeira cena. A partir desde momento estaremos envolvidos por completo em seu dia-a-dia. A maneira como o diretor utiliza a câmera para mostrar o surgimento da doença é eficiente. Tudo fica embaçado em volta de nossa protagonista, já que em sua cabeça tudo deve parecer sair de foco e desaparecer. A câmera em certo momento gira mostrando a confusão de sensação que está em seu cérebro sem saber o caminho a seguir.
O roteiro de Richard Glatzer e Wash Westmoreland adaptado da obra de Lisa Genova é eficiente e a maneira como ele constrói a narrativa parece dialogar o tempo todo com o drama de nossa protagonista. No início vemos o aniversário de Alice. Estabelecendo qual é sua idade para nos mostrar o quanto seu diagnóstico é precoce. Será também o início de tudo. Assim como o aniversário tem uma função do começo de mais um ciclo da vida de uma pessoa ele indica o começo do seu drama. Aliás ela ser uma professora de linguística estabelece uma contradição eficiente com a falta de comunicação verbal que ela irá ter. O próprio jogo que ela costuma jogar no celular também entra bem na narrativa. Um jogo de palavras cruzadas condizem perfeitamente com seu drama, pois ela precisa formar palavras e encaixá-las da mesma maneira que em sua vida ela precisará fazer o mesmo já que palavras precisarão ser lembradas e “encaixadas” em sua cabeça para formar frases.
O design de produção é extremamente eficiente para identificarmos o peso da doença. Para isso basta reparar o trabalho de maquiagem em nossa protagonista. No decorrer do filme ela vai se transformando e não só em sua expressão, mas seu rosto se transforma de maneira que vemos o tempo passar e como a doença a atingiu e a fez aos poucos ir perdendo a vida e envelhecendo. Falando ainda de um outro quesito técnico não achei justo com os atores a trilha sonora querendo dar uma rasteira emocional no espectador. Parece que os diretores não confiavam tanto no talento dos atores. No entanto todos estão andando no mesmo tom (não poderia de deixar destacar Kristen Stewart que para mim vem se despontando como uma boa atriz) e com a carga emocional que o filme carrega não precisaria dessa nota a mais. O filme é tocante por si só. Então a trilha nos momentos que entram não são eficientes e sim querem levar a estratosfera a carga emocional e fazer com que o espectador de debulhe em lagrimas.
Mas a verdade é que o uso da trilha sonora não apaga em nada a força que o filme tem como um todo, sendo assim, isso se torna mais uma observação do que uma crítica. O longa é muito eficiente a narrar a história da protagonista e no fim nos faz refletir de como nossas vidas estão caminhando para o fim. A vida passa e algo inesperado em nossa vida pode aparecer. Então antes que desapareçamos temos que (sei que é clichê) viver. Nosso tempo aqui pode não parecer, mas não se enganem, ele é curto assim como o tempo de vida de uma borboleta. Como Woody Allen já disse: “A realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife”. Então o que resta é aproveitar.