Marcio S.
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Ida
Ida
4,5
Enviada em 15 de maio de 2015
Este filme é um road movie, extremamente intimista, onde a fotografia que ao mesmo tempo é impecável ajuda a narrativa a ser conduzida e algumas vezes parece até falar mais do que qualquer diálogo. O diretor Pawel Pawlikowski realiza uma obra que iremos conhecendo aos poucos assim como a protagonista vai conhecendo os acontecimentos referentes a sua família.
Ida (Agata Trzebuchowska) vive em um convento e está prestes a fazer seus votos e se tornar freira. Antes disso acontecer a freira superior (Halina Skoczynska) diz que ela antes deve ir encontrar sua tia Wanda (Agata Kulesza), sua única parente viva, e após retornar poderá realizar seus votos.
O filme é realizado em uma razão de aspecto 4:3 o que torna esse road movie com uma atmosfera mais intimista e junto com sua fotografia em preto e branco só ratificam a natureza da narrativa que estamos assistindo à medida que iremos descobrindo acontecimentos do passado de nossa protagonista. Porém há momentos que a fotografia do filme começa a se impor em relação a narrativa através de planos extremamente bem criados, que apesar de serem muito bonitos são extremamente melancólicos, lúgubre e tristes condizendo com a narrativa. Isso faz com que não haja um contraste em relação a narrativa e acaba ajudando a compor esteticamente o filme.
Assim como o filme é uma breve jornada de conhecimento de nossa protagonista, há cenas construídas que evocam sentimentos ou metaforicamente tendem a nos falar algo. No início o diretor parece que assim como dar um retoque na imagem de Jesus, daremos o início para alguns retoques na vida de Ida. Esse retoque será muito mais metafórico por uma busca que parecia adormecida em seu interior. Assim percebemos sua admiração e observação pela vida fora daquele mundo dela e para isso o diretor a coloca separada por um vidro de ônibus ou ao chegar na casa da tia entra por algo semelhante a um corredor fechado que a levará (logo em seguida irá subir as escadas para uma porta que irá se abrir para ela) para seu interior. Outro plano interessante é quando mostra Ida conversando com um músico em uma grade anterior a eles. Algo nessas grades parecem formar uma figura simples que indica algo entre eles.
Um dos pontos mais interessantes são as dúvidas referentes a vida de nossa protagonista. Como todos nós seu desejo por experimentar será crescente para assim determinar a decisão de sua vida. Seu questionamento sobre o depois, o depois e o depois parece passar uma insatisfação crônica sobre qualquer possibilidade de uma vida que a satisfaça. Quando consegue suprir sua necessidade em descobrir sensações percorrerá (mais uma vez um plano que pode dizer algo sutil) uma estrada de volta principalmente ao seu verdadeiro eu e assim tomar sua decisão.
Realizando algo que busque uma sutileza na forma de compor seus planos, Pawel Pawlikowski realiza um filme que é conduzido bem lentamente, o que para muitos pode ser algo desinteressante, mas que apresenta uma força real em relação a sua narrativa.