Marcio S.
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O Juiz
O Juiz
2,5
Enviada em 15 de maio de 2015
Há histórias criadas no cinema que ao assistirmos temos a impressão de que apesar da narrativa ter seus momentos que podem ou não surpreender o espectador, apresentam algo de um sentimentalismo barato que quer pegar o espectador e acaba por muitas vezes conseguindo. O Juiz é quase isso e por pouco não se torna um filme que mais uma vez quer dar uma rasteira emocional no espectador. Isso não acontece, pois a maneira como ela é contada condiz com a narrativa e ao mesmo tempo que o filme evolui conseguimos enxergar metáforas visuais que ajudam a contar a história.
Hank Palmer (Robert Downey Jr) é um advogado imbatível. É famoso por conseguir reverter casos de criminosos que facilmente iriam para a cadeia. Em um julgamento recebe uma mensagem que sua mãe faleceu e então tem que retornar a sua cidade natal para o enterro, porém há fatos mal resolvidos em relação a sua cidade e em relação a sua família que parecem não terem sido acertados interiormente. Para complicar mais a sua vida, ele está começando um processo de separação com sua esposa.
Com um roteiro de Nick Schenk e Bill Dubuque que quer evocar algo sentimental no espectador o filme tem em seus diálogos e em sua estrutura seu ponto fraco. Através de diálogos bem convencionais para o gênero e com uma estrutura também bem clichê iremos passeando pela história. Há momentos que passam a sensação de que os diálogos querem é nos pegar por fatos que presenciamos em milhares de filmes e ainda pior, sem nenhuma pitada de originalidade. Sua estrutura vai tomando corpo e além de produzir algo que não acrescenta em nada. Acaba não sabendo dar um final mais justo ao filme e mais uma vez resolve como sempre Hollywood gosta. Mesmo que tente camuflar esse final fazendo com que as pessoas tenham a falsa impressão de que os momentos que precedem o final real são cenas que o espectador poderia falar que não se esperava, que foi algo diferente, o longa metragem logo depois parece que quer consertar qualquer impacto que tenha acontecido com o público. O roteiro ainda cria cenas com informações que não funcionam, como quando seu pai Joseph Palmer (Robert Duvall) parece saber que seu filho está se separando, mesmo que ele não tenha contato com seu filho há muito tempo.
Com um roteiro que não ajuda muito, pelo menos o diretor David Dobkin parece conseguir desenvolver a narrativa de maneira que ande junto com a história. Assim o filme consegue destilar momentos que através de planos pensados vai contando a história do filme. Na volta a sua cidade natal, Palmer tem que voltar a algo mal resolvido em seu interior. Assim ele não volta apenas a uma cidade do interior e sim ao seu interior. Uma ponte que liga a cidade é aquela que também liga os dois mundos de Palmer. Ao adentrar naquela cidade terá que enfrentar algo pessoal que o fará entrar em seu porão interior para colocar dentro tudo que está mal resolvido para fora e então enfrentar verdadeiras tempestades que lhe foram criadas em seu eu. Apesar de não ser nada tão original, enxergar isso no filme me fez refletir o quanto o diretor estava pensando no filme e não simplesmente ligando a câmera.
Concorrendo ao Oscar 2015 na categoria melhor ator, Robert Duvall consegue realizar uma boa interpretação, mas que para concorrer ao Oscar é um pouco demais e não parece nada além de outros pais que tem um conflito com seu filho. Isso também muito devido ao próprio roteiro que cai, como já falado, em algo que não tem nada de novo ao tema. Robert Downey Jr que parecia um ator que despontou após seus problemas com a justiça parece que ligou o piloto automático e se utiliza de uma mesma interpretação em todos os seu s filmes. Parece que até os papéis escolhidos por ele fazem referência a maneira em que ele agora interpreta. Assim sempre enxergamos uma clara referência ao Tony Stark do Homem de Ferro e o seu Sherlock Holmes.
Ao terminarmos o filme temos aquela velha impressão de ter assistido algo raso, que não tem nada a acrescentar, mas que mesmo assim parece ter contato uma história que consegue nos envolver bem de leve, mas sem atingir seu real objetivo. Seu impacto emocional pode passar perto de pegar o espectador, mas só fica no quase e se torna mais um entre muitos outros.