Ricardo M.
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5,0
Enviada em 19 de setembro de 2019
Durante aquele que seria mais um teste de rotina nas instalações da Usina Nuclear de Chernobyl, algo de errado ocorre, causando uma explosão no reator 4 e consequente início de uma catástrofe. O ano é 1986, cidade de Pripyat, Ucrânia, local que registrou um dos maiores e mais fatais acidentes nucleares da história, culminando na morte de centenas de pessoas a curto e longo prazo. Coube ao cientista Valery Legasov (Jared Harris), a física Ulana Khomyuk (Emily Watson) e o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) descobrir as causas do impressionante acidente.

Embora já resida na mente de grande parte da população mundial, dado seu impacto histórico, o acidente na usina de Chernobyl já foi abordado em diversas mídias de entretenimento, desde filmes, animações e jogos, sempre abordando o caso de forma indireta, deixando-o como elemento complementar à história. Coube ao roteirista Craig Mazin e aos produtores da HBO a função de desenvolver algo que valida a história de maneira direta, com riqueza absoluta de detalhes e com o impacto devido.

CHERNOBYL se desenrola em 5 episódios, tendo início nos momentos os quais presenciamos as ações responsáveis pelo acidente, passando pelas consequências diretas e indiretas, incluindo aí as pessoas, animais e meio ambiente que sofreram com a radiação; finalizando com as decisões políticas e jurídicas que foram geradas como alternativas ao acidente. Tudo costurado de maneira funcional e sem enrolações, tecendo uma rede que pouco a pouco mostra não somente as falhas, mas também como elas foram geradas pelos trabalhadores / políticos inescrupulosos.

O caráter documental aliado a uma construção cronológica que parece ficcional talvez seja o que mais surpreenda, pois os produtores optaram em construir a série com poucas narrações em off, moldando as ocorrências passo a passo e sempre abordando as mudanças nos arredores da usina, buscando em alguns moradores as alterações que o acidente gerou. Essas descrições também passam pelos detalhes técnicos no que tange a radiação, ora descrevendo ora ilustrando as consequências do acidente e seu imenso alcance.

Falar das atuações de Jared Harris, Stellan Skarsgård e Emily Watson é chover no molhado, visto que a alma do seriado é praticamente transposta pelo trio e suas constantes descobertas, enfrentando as reais consequências de um meio político que visa interesses individuais acima de qualquer consequência coletiva. Como bem diz em certa ocasião: "Não espere que a solução venha do governo. O governo é o problema."

Talvez por vir de uma emissora consagrada pelos altos custos investidos e grande cuidado nas produções, CHERNOBYL é mais uma cria da HBO com tamanha qualidade técnica e narrativa capaz de manter um nível de tensão impossível de se descrever, a série tem que ser assistida!. A fluência e qualidade do seriado é notável, mostrando como a imprudência, a ganância e interesses pessoais foram capazes de tantas destruições que certamente produz seus efeitos até hoje.

Dentre tantas falas memoráveis e reflexivas na série, há uma que se aproxima da primazia em termos de austeridade de seus protagonistas:

"Quando a verdade ofende, mentimos até não nos lembrarmos mais dela.
Mas ela continua lá.
Cada mentira que dizemos incorre uma dívida à verdade.
Mais cedo ou mais tarde, essa dívida é paga."

É ver para se deleitar... FENOMENAL! 👏