Breno L.
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Muito Gelo e Dois Dedos D'Água
Muito Gelo e Dois Dedos D'Água
3,5
Enviada em 25 de junho de 2014
Esse é aquele filme para toda santa alma que já quis se vingar dos maus tratos dos parentes mais velhos. E, embora a tal vingança nesse caso seja banal e surreal, é vingança, e é um dos pontos chave desse filme e que dão sentido à ele: é algo pessoal, de pura e simples satisfação, principalmente para a Roberta de Mariana Ximenes, muito bem defendida e de longe o personagem mais interessante do filme.

O roteiro de Alexandre Machado e Fernanda Young é simples, direto e prático, e talvez por isso um tanto raso. Os personagens principais, leia-se Roberta, Suzana (Paloma Duarte) e o advogado fugitivo Renato (Ângelo Paes Leme) são bem interessantes, assim como a avó (uma excelente Laura Cardoso), mas a superficialidade deles incomoda. Fora eles, temos Francisco (Thiago Lacerda), marido de Suzana; Cleuza (Carla Daniel), irmã dele, uma hipocondríaca nata, e o sargento Nelson (Ailton Graça), todos estes muito caricatos e forçados.

Roberta e Suzana decidem levar a avó para a casa de praia da família onde, em todas as férias de verão, recebiam um "tratamento" nada amigável da mesma, e agora decidem aplicar o mesmo trato na mesma. Daí várias situações inimagináveis e engraçadas vão surgindo. As protagonistas tem muita química, assim como elas e Renato, que rapidamente se integra à "gangue". Roberta é a típica mulher que sofreu bullying na escola e não conseguiu até hoje se restabelecer, assumindo uma postura rebelde. Já Suzana poderia estar um degrau acima da irmã, se não fosse sua frustração em seu casamento, bem como a caretice do marido. Renato, por sua vez, parece saturado de sua vida certinha, e tenta provar a si mesmo que tem um eu rebelde dentro de sua figura solitária.

É interessante observar o elo com o passado durante todo o filme, desde a locação da casa de praia, ao carro da avó, assim como as passagens animadas (excelentes!) que remetem à infância dos protagonistas, bem também como as reminiscências da avó com a Ditadura Militar (hilária a cena dela cantando "Eu te Amo, Meu Brasil") e a excelente trilha sonora do filme.

Em suma, um filme divertido, de humor irônico e inteligente (em sua maior parte) e com cenas hilárias do tipo que só Fernanda Young e Alexandre Machado saber fazer. Vale a pena para dar boas risadas.