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Um do poucos filmes realmente bons deste inicio de ano, adorei. Durante todo o filme lembrei da musica "Solidão"escrita por Zé Ramalho e cantada divinamente por Alceu Valença. O filme é um tratado sobre a solidão. A solidão do homem contemporâneo, que esta conectado com o mundo e desconectado com si mesmo e com os outros. É a solidão de todos nós, que somos rodeados pela mais avançada tecnologia e isolados na nossa propria inaptidão para se relacionar com nossos semelhantes. Estamos imersos na solidão de quem não sabe para onde andar, sem causas para abraçar, ou pior ainda na solidão de quem perdeu a noção do que é o amor e como fazer para ser correspondido. O filme está embebido de solidão; na bela fotografia da cidade, principalmente a noite, com suas luzes alegres, coloridas, mas tão melancólica ( vcs já repararam como é melancólico uma cidade grande de madrugada? é de uma solidão indizível). De dia fervilha de pessoas apressadas, que vão e vêm, isoladas nos seus próprios egos, perdidas, pois solitárias. A solidão da trama de um homem desiludido pelo fracasso de seu casamento, que na ânsia de ser amado se apaixona pela voz de seu proprio sistema operacional, e projeta e almeja um amor impossível, mas ao mesmo tempo, e paradoxalmente, não quer ter relações "sérias" e estáveis, pois teme de novo o fracasso e a desilusão, num vortice infinito, sem solução. O filme é um tratado sobre a solidão do homem contemporâneo, e como tratado não almeja soluções, apenas descreve, apenas analisa, apenas estuda. A solução compete à nós buscarmos.