Ivann W.
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Cinquenta Tons de Cinza
Cinquenta Tons de Cinza
1,0
Enviada em 24 de fevereiro de 2015
“Cinquenta Tons de Cinza” (Fifty Shades of Grey / Estados Unidos, 2015)
Nota: ZERO
Direção: Sam Taylor–Johnson
Elenco: Jamie Dornan, Dakota Johnson, Jenniffer Ehle, Marcia Gay Harden

Cinquenta tons de clichê. O que esperar de um filme cujo roteiro enaltece as preferências sexuais sádicas de um misógino milionário que enxerga a mulher apenas como um objeto de humilhações e saco de pancadas, moral e sexual?
A surpresa mais decepcionante se constata pelo filme ter sido dirigido por uma mulher. Sam Taylor–Johnson assina uma direção equivocada, de gosto duvidoso, com ritmo insosso passando a falsa imagem de tratar-se de um filme de arte com elementos eróticos de classe. Tudo não passa de um filme com visão machista, estereotipado e que tem a discrepância infâme de subjugar os sentimentos de toda mulher.
Baseado no livro da escritora E. L. James que vendeu inacreditáveis (puro modismo!!) 100 milhões de exemplares mundo afora, o filme nem chega a despencar ladeira abaixo, pois nunca emergiu do fundo do poço. Cenas constrangedoras pululam a todo instante e a mais vexaminosa coloca os personagens principais em discussão sobre cada ítem de um contrato irrisório em torno dos direitos e deveres da concessão sadomasoquista.
Outro fator imperdoável é a escalação infeliz do casal principal. Jamie Dornan – Jamie quem?? – deveria continuar no ostracismo. Forte candidato nas listas dos piores do ano. Sua presença em cena carece do principal: sexy appeal. Até um tijolo é mais expressivo que seu olhar robótico.
Dizem que filho de peixe, peixinho é. A atriz Dakota Johnson, filha de uma das piores atrizes de todos os tempos, Mellanie Griffith, revelou recentemente no tapete vermelho do Oscar, que nem mesmo sua mãe quis assistir ao filme. Pontos para Mellanie Griffith. Não existe a menor química entre Jamie Dornan e Dakota Johnson. Seus corpos não acompanham as falas. Não há frisson. Não há empatia. Existe apenas um casal de atores inexperientes num projeto infeliz.
E, como dizem que sempre pode piorar, o final abre espaço para futuras continuações e fica notório que a trilha sonora foi escolhida para vender cds na mesma proporção dos ingressos. Uma lástima. Uma insana vergonha.
Um filme que queria ser da estirpe de “9 e ½ Semanas de Amor”, mas não tem uma protagonista com a beleza e sensualidade de Kim Basinger. Não chega aos pés do erotismo de “Delta de Vênus”, onde o diretor Zalman King transforma o conto erótico de Anais Nin num retrato sensual de uma mulher que desconhece seus próprios limites e desejos eróticos.
Melhor assistir um filme pornô, certamente é mais honesto nas intenções. Não perca seu precioso tempo e dinheiro com os cinquenta tons de lixo em forma de película. Você ficará com cinquenta tons de raiva.