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Obra de qualidade inquestionável, Lado a Lado representou o retorno ao bom gosto e de temáticas de relevância às novelas da Globo, com conteúdo histórico, social e cultural, e bandeiras como a igualdade racial e de gênero, defendidas por um elenco primoroso e inspirado. Foi gratificante e preocupante acompanhar as aventuras e desventuras das protagonistas Laura (Marjorie Estiano) e Isabel (Camila Pitanga) e perceber que 100 anos se passaram e as mulheres ainda enfrentam os mesmos dilemas (de conciliar vida pessoal e profissional) e ainda são alvos de preconceitos e julgamentos por suas escolhas.
spoiler:
Isabel sendo julgada, também pelos telespectadores, por engravidar de um homem a quem não amava. Laura igualmente criticada por se divorciar do marido "perfeito", como se ele não tivesse responsabilidade nenhuma na sua decisão.
Ambas sofrendo sanções da sociedade da época e julgamentos do público de hoje. Como mulher, eu (e muitas outras telespectadoras com as quais tive contato) me identifiquei nos dilemas apresentados na trama e nas expectativas de soluções mais promissoras às demandas femininas, o que indica que mais que uma obra ficcional, foi um trabalho significativo e capaz de despertar identificações atuais em quem o assistiu. Destaque para a representação dos dramas vivenciados pelas pioneiras do feminismo, personificados pela excelente Marjorie Estiano e sua Laura: spoiler: o desejo de estudar e trabalhar e não só viver em função do casamento; a luta por inserção, como professora e jornalista, a despeito de seu sexo e estado civil de divorciada, e a necessidade de se esconder atrás de um pseudônimo para poder escrever; a internação em um sanatório, como tantas mulheres do passado, por ser contestadora e estudiosa; vítima de assédio sexual e tentativa de estupro; rejeitada e desamparada pela família, e excluída do "mercado de trabalho", pelo fato de optar ser uma mulher descasada
.Excelente resgate histórico das lutas feministas no início da república e dos negros no período pós-abolição, Lado a Lado mais do que um espelho do passado, foi também um espelho do presente.
Ambas sofrendo sanções da sociedade da época e julgamentos do público de hoje. Como mulher, eu (e muitas outras telespectadoras com as quais tive contato) me identifiquei nos dilemas apresentados na trama e nas expectativas de soluções mais promissoras às demandas femininas, o que indica que mais que uma obra ficcional, foi um trabalho significativo e capaz de despertar identificações atuais em quem o assistiu. Destaque para a representação dos dramas vivenciados pelas pioneiras do feminismo, personificados pela excelente Marjorie Estiano e sua Laura: spoiler: o desejo de estudar e trabalhar e não só viver em função do casamento; a luta por inserção, como professora e jornalista, a despeito de seu sexo e estado civil de divorciada, e a necessidade de se esconder atrás de um pseudônimo para poder escrever; a internação em um sanatório, como tantas mulheres do passado, por ser contestadora e estudiosa; vítima de assédio sexual e tentativa de estupro; rejeitada e desamparada pela família, e excluída do "mercado de trabalho", pelo fato de optar ser uma mulher descasada
.Excelente resgate histórico das lutas feministas no início da república e dos negros no período pós-abolição, Lado a Lado mais do que um espelho do passado, foi também um espelho do presente.