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A imaginação do diretor só não é maior do que a vastidão do espaço.
“O melhor filme de espaço já feito na história do cinema.” Essa afirmação é de James Cameron, após ter ficado “atordoado” com a experiência de ter assistido, no último Festival de Veneza, ao novo filme do mexicano Alfonso Cuarón. O pioneirismo de Cameron em desenvolver uma série de avanços tecnológicos a serviço da sétima arte confere ao cineasta prestígio em Hollywood quando se trata de ficção científica. Portanto, se “Gravidade” causou espanto a James Cameron, não é pouca coisa. A comunidade científica também compartilha desse mesmo sentimento de admiração, devido, em grande parte, ao respeito demonstrado no longa à realidade do espaço, e consequentemente às leis da ‘gravidade’, palavra que nunca foi utilizada tão adequadamente para dar título a um filme, seja por seu sentido científico ou pela tensão que ela sugere.
E altas doses de tensão, sem moderação, é o que encontramos neste elogiadíssimo longa. Logo no início do filme somos presenteados com uma visão maravilhosa da Terra, contemplada do espaço, de onde surge, logo em seguida, o telescópio Hubble, no qual uma equipe de astronautas está fazendo reparos. É quando conhecemos o experiente e bem-humorado Matt Kowalski (George Clooney) tranquilo em sua última missão, e a novata Ryan Stone (Sandra Bullock), exalando insegurança nesta que é, em contraponto, a sua primeira missão no espaço. Logo, uma chuva de destroços provocada pela destruição de um satélite atinge em cheio a equipe, deixando-os à deriva na imensidão angustiante e avassaladora do espaço. A esperança reside na possibilidade de alcançarem a estação chinesa para, com ela, tentar a reentrada na atmosfera, uma tarefa que não se mostrará ser nada fácil. É a partir desta história a princípio simples que presenciamos um material riquíssimo para o manuseio da linguagem cinematográfica que o diretor domina tão bem, e com a qual ele já havia nos surpreendido.
Alfonso Cuarón chamou a atenção ao dirigir, em 2004, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, o terceiro filme da franquia, no qual imprimiu um tom mais sóbrio em contraste com o universo fantasioso da saga. Seu trabalho seguinte, “Filhos da Esperança” (2006), confirmou seu talento e sua criatividade ao criar longos e trabalhosos planos-sequência que elevavam a tensão a níveis absurdos. Mas o que ele faz em “Gravidade” é soberbo. O limite para a câmera de Cuarón é a imaginação do cineasta, e esta só não é maior do que a vastidão do espaço em que toda a história se desenvolve, e nos envolve, num jogo de planos-sequência, movimentos de câmera, mudanças de perspectiva e focos de profundidade inovadores e atordoantes. O som (ou a falta dele) é outro ingrediente utilizado de maneira extremamente inteligente para salientar o pânico e o terror provocado por momentos críticos da narrativa. E desde o estabelecimento do 3D, poucas vezes ele foi tão bem utilizado quanto neste longa, em que o efeito não é apenas ilustrativo, mas está a serviço da história. Isso é o que eu chamo de profundidade, literalmente!
Cuarón ainda se permite incluir sutilezas como o momento de relaxamento da personagem de Sandra, flutuando e, com isso, simulando uma posição fetal, o que nos remete a uma “fase” de nossas vidas em que não tínhamos nada com o que nos preocupar. E o efeito (tanto visual quanto dramático) causado pelas lágrimas que saem dos olhos da astronauta é simplesmente brilhante, acentuando sua solidão e a ‘gravidade’ da situação contraditoriamente claustrofóbica em que se encontra, isolada e perdida na melancólica vastidão do espaço. Essa fórmula não teria dado certo sem uma atuação ‘estelar’. E a performance de Sandra Bullock (que já ganhou um Oscar em 2010 por “Um Sonho Possível”) tem sido merecidamente elogiada pela crítica que já a aponta como uma forte candidata a uma nova indicação em 2014.
Se em 1968, Stanley Kubrick impressionou o mundo com sua obra-prima “2001 – Uma Odisséia No Espaço”, principalmente por ter sido o primeiro filme que realmente levou o conceito de “ficção científica” a sério, não é exagero afirmar que, 45 anos depois, “Gravidade”, de Alfonso Cuarón, cause um efeito semelhante, por todo o realismo e detalhamento mostrados ao longo de seus 90 minutos muitíssimo bem aproveitados. Assim fica difícil mesmo discordar da frase dita por James Cameron. E a julgar por suas qualidades técnicas, narrativas e dramáticas, podemos dizer seguramente que, até o presente momento, “Gravidade” representa nada menos do que a excelência do cinema no espaço.
“O melhor filme de espaço já feito na história do cinema.” Essa afirmação é de James Cameron, após ter ficado “atordoado” com a experiência de ter assistido, no último Festival de Veneza, ao novo filme do mexicano Alfonso Cuarón. O pioneirismo de Cameron em desenvolver uma série de avanços tecnológicos a serviço da sétima arte confere ao cineasta prestígio em Hollywood quando se trata de ficção científica. Portanto, se “Gravidade” causou espanto a James Cameron, não é pouca coisa. A comunidade científica também compartilha desse mesmo sentimento de admiração, devido, em grande parte, ao respeito demonstrado no longa à realidade do espaço, e consequentemente às leis da ‘gravidade’, palavra que nunca foi utilizada tão adequadamente para dar título a um filme, seja por seu sentido científico ou pela tensão que ela sugere.
E altas doses de tensão, sem moderação, é o que encontramos neste elogiadíssimo longa. Logo no início do filme somos presenteados com uma visão maravilhosa da Terra, contemplada do espaço, de onde surge, logo em seguida, o telescópio Hubble, no qual uma equipe de astronautas está fazendo reparos. É quando conhecemos o experiente e bem-humorado Matt Kowalski (George Clooney) tranquilo em sua última missão, e a novata Ryan Stone (Sandra Bullock), exalando insegurança nesta que é, em contraponto, a sua primeira missão no espaço. Logo, uma chuva de destroços provocada pela destruição de um satélite atinge em cheio a equipe, deixando-os à deriva na imensidão angustiante e avassaladora do espaço. A esperança reside na possibilidade de alcançarem a estação chinesa para, com ela, tentar a reentrada na atmosfera, uma tarefa que não se mostrará ser nada fácil. É a partir desta história a princípio simples que presenciamos um material riquíssimo para o manuseio da linguagem cinematográfica que o diretor domina tão bem, e com a qual ele já havia nos surpreendido.
Alfonso Cuarón chamou a atenção ao dirigir, em 2004, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, o terceiro filme da franquia, no qual imprimiu um tom mais sóbrio em contraste com o universo fantasioso da saga. Seu trabalho seguinte, “Filhos da Esperança” (2006), confirmou seu talento e sua criatividade ao criar longos e trabalhosos planos-sequência que elevavam a tensão a níveis absurdos. Mas o que ele faz em “Gravidade” é soberbo. O limite para a câmera de Cuarón é a imaginação do cineasta, e esta só não é maior do que a vastidão do espaço em que toda a história se desenvolve, e nos envolve, num jogo de planos-sequência, movimentos de câmera, mudanças de perspectiva e focos de profundidade inovadores e atordoantes. O som (ou a falta dele) é outro ingrediente utilizado de maneira extremamente inteligente para salientar o pânico e o terror provocado por momentos críticos da narrativa. E desde o estabelecimento do 3D, poucas vezes ele foi tão bem utilizado quanto neste longa, em que o efeito não é apenas ilustrativo, mas está a serviço da história. Isso é o que eu chamo de profundidade, literalmente!
Cuarón ainda se permite incluir sutilezas como o momento de relaxamento da personagem de Sandra, flutuando e, com isso, simulando uma posição fetal, o que nos remete a uma “fase” de nossas vidas em que não tínhamos nada com o que nos preocupar. E o efeito (tanto visual quanto dramático) causado pelas lágrimas que saem dos olhos da astronauta é simplesmente brilhante, acentuando sua solidão e a ‘gravidade’ da situação contraditoriamente claustrofóbica em que se encontra, isolada e perdida na melancólica vastidão do espaço. Essa fórmula não teria dado certo sem uma atuação ‘estelar’. E a performance de Sandra Bullock (que já ganhou um Oscar em 2010 por “Um Sonho Possível”) tem sido merecidamente elogiada pela crítica que já a aponta como uma forte candidata a uma nova indicação em 2014.
Se em 1968, Stanley Kubrick impressionou o mundo com sua obra-prima “2001 – Uma Odisséia No Espaço”, principalmente por ter sido o primeiro filme que realmente levou o conceito de “ficção científica” a sério, não é exagero afirmar que, 45 anos depois, “Gravidade”, de Alfonso Cuarón, cause um efeito semelhante, por todo o realismo e detalhamento mostrados ao longo de seus 90 minutos muitíssimo bem aproveitados. Assim fica difícil mesmo discordar da frase dita por James Cameron. E a julgar por suas qualidades técnicas, narrativas e dramáticas, podemos dizer seguramente que, até o presente momento, “Gravidade” representa nada menos do que a excelência do cinema no espaço.