Roberto O.
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Wolverine: Imortal
Wolverine: Imortal
3,5
Enviada em 29 de julho de 2013
Romantismo e fúria no novo filme do herói mutante

Japão, uma terra de tradições e rígidos códigos de honra, é cenário para o novo filme do herói mutante de garras afiadas da Marvel, sob as mãos do diretor James Mangold, que consegue realizar uma produção digna do padrão que têm se estabelecido desde o primeiro X-Men de 2000, e sem sombra de dúvida, muito superior ao controverso X-Men: Origens – Wolverine, se mostrando desta vez uma ótima “aventura solo do herói”.
A história busca desta vez uma aproximação maior do personagem com seu lado animalesco e sombrio, ainda que o cinema hollywoodiano não possa mostrar, em nome da censura e do faturamento, todo o potencial de ferocidade que o herói possui nos quadrinhos. O roteiro de Scott Frank e Mark Bomback, inspirado em uma famosa história das HQs, “Eu, Wolverine”, faz adaptações e concessões, é claro, e se aproxima, em alguns momentos, do clima da obra original, sem nunca atingir um nível de dramaticidade ou profundidade que pudesse causar afastamento por parte do público alvo, em sua grande maioria, a juventude. Mas os elementos básicos do personagem estão lá, mesmo que apenas superficialmente: sua fúria, seu senso de justiça, ainda que beirando a linha da moralidade, seu sentimento de inadequação e solidão provocado pelo seu fator de cura que não o permite envelhecer, e com isso, ter uma vida normal, e principalmente (a ênfase do filme), seu contraditório e improvável romance com uma fina e delicada princesa da Terra do Sol Nascente.
Wolverine: Imortal nos leva inicialmente ao Canadá onde encontramos o herói ressentido com os acontecimentos relatados em X-Men – O Confronto Final, em que se viu na obrigação moral de tirar a vida de sua amada Jean Grey, que agora o atormenta em sonhos. É quando ele conhece Yukio (Rila Fukushima) que o leva ao Japão sob o pretexto de que um velho amigo à beira da morte quer vê-lo uma vez mais e se despedir. Lá chegando, Logan revê Shingen Yashida (Hiroyuki Sanada), hoje o líder do clã Yashida, mas que na época em que o conheceu era apenas um soldado cuja vida foi salva pelo herói no momento da explosão da bomba atômica de Nagazaki. Yashida lhe oferece a mortalidade, o que, no caso de Logan, seria uma bênção, pois ele não teria mais que conviver com as dores de sempre perder as pessoas que ama ao longo dos anos. Mas Logan opta por continuar a carregar seu fardo. É quando a morte do ancião desencadeia uma intensa disputa pelo poder e controle da família, colocando seu filho, Harada (Will Yun Lee) e a Yakusa (a máfia japonesa), no encalço de Mariko, (Tao Okamoto), a neta a quem Yashida deixou toda sua herança, e por quem Wolveine se apaixona... tem início então um delicado romance. Mas algo aconteceu com o fator de cura de Logan, pois agora ele não se recupera mais tão rapidamente de seus ferimentos, o que causa uma situação inédita na vida do herói, com a qual ele terá de lidar, e um desafio a mais na hora de enfrentar seus oponentes.
Vemos no filme alguns contrastes visuais, bem retratados pela fotografia, que impressiona em alguns momentos, como no início, quando é mostrada a detonação da bomba atômica em Nagazaki e suas implicações, em uma sequência toda construída com tons amarelados, e também em uma batalha à noite quase toda permeada por sombras em conjunto com o azul escuro que ajuda a compor toda a ambientação sombria criada para a tal sequência entre o herói e outro personagem.
Os vilões, ainda que “made in Hollywood”, cumprem com seu papel. Desta vez somos apresentados à Víbora e ao Samurai de Prata, que proporcionam empolgantes sequências de ação. Destaque para o combate em cima de um trem bala, de tirar o fôlego. O elenco oriental está muito bem, e Hugh Jackman já está tão acostumado com esse personagem que faz já há 13 anos, que sua interpretação é aquela da qual já estamos acostumados, com os mesmos maneirismos, e algumas tiradas oportunamente cômicas.
Wolverine – Imortal certamente não vai desagradar nem aos fãs nem ao público em geral, e vai alimentar ainda mais as expectativas para o próximo filme “mutante” que neste exato momento está em plena fase de produção. Durante os créditos finais, a cena que você verá é importantíssima para a continuidade da saga dos mutantes no cinema. Mas essa é uma outra história, que vamos assistir em 2014, quando X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido chegar às telas.
ROBERTO OLIVEIRA