Eduardo S.
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Cleópatra
Cleópatra
5,0
Enviada em 14 de maio de 2013
Super produções, às vezes vêm acompanhadas de grandes problemas, com Cleópatra não foi diferente.
Para o estúdio, seria apenas mais uma produção lucrativa, mas acabou saindo uma das mais caras e tumultuadas do cinema.
Tudo teve início em 1958 e sua estreia foi em 12/06/1963 em Nova York, o longa passou por dois presidentes da Fox, com visões bem diferentes: o 1° foi Spyros Skouras, que achava que seria uma produção fácil e lucrativa, chegando a oferecer ao produtor Walter Wanger, o roteiro do filme mudo que o estúdio produziu em 1917. O 2° foi Darryl F. Zanuck, retornando a direção do estúdio, para botar ordem ao caos instalado que se encontrava a produção.
Wanger viu que o roteiro do filme mudo não era adequado, acabou adquirindo os direitos do livro “The Life and Times of Cleopatra” de Carlo Mario Franzero, com base no livro o roteiro começou a ganhar forma com Ranald MacDougall e Sidney Buchman.
O diretor Rouben Mamoulian, não aguentou os inúmeros problemas e a pressão sob suas costas, resultando em sua demissão com a produção ainda no início. Seu substituto foi o excelente diretor/roteirista Joseph L. Mankiewicz, que teve a árdua tarefa de dirigir uma produção já iniciada e reescrever o roteiro simultaneamente.
Mankiewicz vendo que tinha muito material em mãos comentou que gostaria de dividi-lo em dois filmes de três horas, mas Zanuck não deixou e confiscou o filme para edição, desta forma perdendo 2 horas, um absurdo desperdiçar tantas cenas.
Wanger desde o início queria a atriz Elizabeth Taylor como Cleópatra, oferecendo a atriz um cachê a sua escolha, e o valor escolhido foi nada menos que 1 milhão de dólares, valor inédito para a época. Com uma grande atriz, o filme teria mais chances de sucesso e problemas também, como os graves problemas de saúde que atrasaram as filmagens em meses e o escândalo que foi seu romance com o ator Richard Burton (Marco Antonio), ambos casados na época, serviram de aperitivo para a mídia sensacionalista da época.
Além de Taylor com seu talento e toda sua beleza e Burton que em minha opinião, estava razoável no papel de Marco Antonio, o destaque fica por conta de Rex Harrison (Julio César), com muita classe e carisma em uma magnífica atuação.
Dos coadjuvantes o mais interessante foi Roddy McDowall (Octávio/César Augustu), com uma atuação brilhante, provavelmente a melhor de sua carreira.
A trilha sonora de Alex North é poderosa e dá o tom épico necessário. Diretores de Arte foram dez, para dar conta dos gigantescos e magníficos cenários, com muita beleza e luxo. Leon Shamroy foi o responsável pela arrebatadora fotografia, com belas e grandiosas imagens.
Os efeitos visuais ainda longe da era digital foram muito bem aplicados pelo técnico Emil Kosa Jr.
Os figurinistas Vittorio Nino Novarese, Renié e Irene Sharaff, fizeram um trabalho excepcional e é óbvio que o figurino mais bonito e luxuoso é o de Elizabeth Taylor, que desfila ao longo do filme os mais belos trajes do cinema.
Foi indicado para nove Oscars, incluindo Filme e Ator (Rex Harrison), acabou vencendo quatro: Direção de Arte, Figurino, Fotografia e Efeitos Visuais.
Com orçamento inicial de 2 milhões de dólares, acabou superando 40 milhões, o que hoje ultrapassaria 300 milhões de dólares. Com o orçamento nas alturas, os 57 milhões de dólares arrecadados, não foram suficientes para o filme não ser um fracasso.
Mas hoje, comemorando seu 50° aniversário, o filme é considerado um dos grandes clássicos do cinema, com seu visual deslumbrante e ver Elizabeth Taylor como Cleópatra é um colírio para os olhos.