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O CRÍTICO
A função do crítico não é bem vista por muitos cineastas. Tem diretores que se sentem perseguidos e alguns que até fazem piadas com a figura deles. O diretor argentino Hernán Guerschuny realiza uma obra que fala deles, não deixa de critica-los, consegue desenvolver um filme com boa intenção, mas com um leve toque de pretensão, que utiliza os clichês de filmes românticos de propósito, mas que não tem alguns itens que compõe também sua narrativa.
Victor Tellez (Rafael Spregelburd) é um crítico cinematográfico que escreve para um jornal de grande circulação na Argentina. Ainda não se restabeleceu do fim de namoro. Para ele o cinema está em decadência e ao olhar para a juventude a sua volta só tem mais pessimismo em relação ao futuro. Procura um apartamento para alugar, mas quando consegue achar, encontra-se por acaso com Sofia (Dolores Fonzi), que também estava, a princípio procurando um apartamento e que conseguiu alugar na sua frente. Victor encontra ela por acaso de novo pelas ruas e os dois passam a se conhecer melhor.
O diretor Hernán Guerchuny narra a história de nosso protagonista de forma que ele caia numa cilada. Ele detesta as comédias românticas, sabe de cor os clichês do gênero, mas acaba se vendo no meio de uma. O protagonista se apaixona por uma mulher improvável, que apresenta algo inusitado, que acaba mudando sua vida, mas quando tudo parecia bem alguma situação mal explicada acaba por separa-los até que ele não pode perde-la e corre até algum lugar, um hotel, um aeroporto ou uma outra cidade para tentar impedi-la de partir ou convencê-la de que o ama.
É interessante como ele cai nessa “cilada”, mas o filme quer mesmo é falar sobre a profissão do crítico e brincar com isso. Acerta com humor, mas soa pretensioso, ao meu ver quando tive a leve impressão dele se comparar a Frank Capra. Nesse momento comecei a enxergar talvez algo que queira mais criticar os críticos do que tratar o assunto com humor. Primeiro a forma pretensiosa que nosso protagonista descreve sua função, o que em parte não concordo, pois a função dele não é discernir uma obra de arte de um produto ruim, pois tudo tem que ser arte, pois se não nunca o cinema será reconhecido como tal. Então seria discernir de uma arte boa de uma ruim. O crítico profissional vai identificar o que só com um olhar técnico possa ser identificado. Nesse ponto entra a comparação do olhar racional x olhar emocional. O filme passa a ideia de que um longa metragem tende a ser bom, mesmo quando tecnicamente não é, se olharmos mais para um filme emocionalmente e assim há uma sugestão de uma crítica ao crítico, porque dá a impressão de que ele tem que se abrir emocionalmente ao filme, pois só assim ele vai parar de achar os filmes medíocres. Se o profissional deixar de olhar mais tecnicamente para o filme correremos o risco de realmente termos uma enxurrada de artes ruins.
Há outros pontos em que ele deixa mais indícios que ele quer mais mostrar o quanto os críticos levam uma vida sem cor e sem música. Mas não posso negar que mesmo realizando uma obra que sugere algo que não seja algo construtivo, ele consegue criar situações de um humor leve e descontraído com situações que envolvem o crítico. Assim como o roteiro tira proveito e consegue criar algum humor ele deixa a desejar em sua estrutura, pois para uma comedia romântica como o diretor queria que acontecesse, precisa-se de um casal de protagonista que tenha uma química e não aconteceu com os protagonistas. Acrescento também que a incessante vontade de explicar o protagonista está pensando, mesmo quando sua expressão facial já diz tudo acaba minando mais o roteiro.
Ao mesmo tempo que o roteiro não desenvolve tão bem a comédia romântica, ele consegue através de alguns pontos contar a história do filme. Os figurinos de Victor muda quando ele conhece Sofia, seu apartamento ganha mais cor e iluminação. No início do filme temos uma iluminação da projeção que vai direto em cima de nosso protagonista o que ratifica o filme dentro do filme, já que iremos testemunhar a comédia romântica na vida de Victor. É interessante também ele ser metalinguístico e também citar tanto a Nouvelle Vague.
O filme constrói sua narrativa de maneira que acaba não acertando em seu subtexto, acerta em alguns momentos de humor, mas infelizmente soa pretensioso demais em alguns momentos. Cita o cinema, mas ao utilizar os recursos batidos de uma comédia romântica deixa a desejar em um quesito que é extremamente importante em uma comédia romântica, que é o casal protagonista. Eles estão bem em sua individualidade, mas no conjunto não. Ao chegarmos no final, independente do que aconteça o público não sente tanto o dano.
A função do crítico não é bem vista por muitos cineastas. Tem diretores que se sentem perseguidos e alguns que até fazem piadas com a figura deles. O diretor argentino Hernán Guerschuny realiza uma obra que fala deles, não deixa de critica-los, consegue desenvolver um filme com boa intenção, mas com um leve toque de pretensão, que utiliza os clichês de filmes românticos de propósito, mas que não tem alguns itens que compõe também sua narrativa.
Victor Tellez (Rafael Spregelburd) é um crítico cinematográfico que escreve para um jornal de grande circulação na Argentina. Ainda não se restabeleceu do fim de namoro. Para ele o cinema está em decadência e ao olhar para a juventude a sua volta só tem mais pessimismo em relação ao futuro. Procura um apartamento para alugar, mas quando consegue achar, encontra-se por acaso com Sofia (Dolores Fonzi), que também estava, a princípio procurando um apartamento e que conseguiu alugar na sua frente. Victor encontra ela por acaso de novo pelas ruas e os dois passam a se conhecer melhor.
O diretor Hernán Guerchuny narra a história de nosso protagonista de forma que ele caia numa cilada. Ele detesta as comédias românticas, sabe de cor os clichês do gênero, mas acaba se vendo no meio de uma. O protagonista se apaixona por uma mulher improvável, que apresenta algo inusitado, que acaba mudando sua vida, mas quando tudo parecia bem alguma situação mal explicada acaba por separa-los até que ele não pode perde-la e corre até algum lugar, um hotel, um aeroporto ou uma outra cidade para tentar impedi-la de partir ou convencê-la de que o ama.
É interessante como ele cai nessa “cilada”, mas o filme quer mesmo é falar sobre a profissão do crítico e brincar com isso. Acerta com humor, mas soa pretensioso, ao meu ver quando tive a leve impressão dele se comparar a Frank Capra. Nesse momento comecei a enxergar talvez algo que queira mais criticar os críticos do que tratar o assunto com humor. Primeiro a forma pretensiosa que nosso protagonista descreve sua função, o que em parte não concordo, pois a função dele não é discernir uma obra de arte de um produto ruim, pois tudo tem que ser arte, pois se não nunca o cinema será reconhecido como tal. Então seria discernir de uma arte boa de uma ruim. O crítico profissional vai identificar o que só com um olhar técnico possa ser identificado. Nesse ponto entra a comparação do olhar racional x olhar emocional. O filme passa a ideia de que um longa metragem tende a ser bom, mesmo quando tecnicamente não é, se olharmos mais para um filme emocionalmente e assim há uma sugestão de uma crítica ao crítico, porque dá a impressão de que ele tem que se abrir emocionalmente ao filme, pois só assim ele vai parar de achar os filmes medíocres. Se o profissional deixar de olhar mais tecnicamente para o filme correremos o risco de realmente termos uma enxurrada de artes ruins.
Há outros pontos em que ele deixa mais indícios que ele quer mais mostrar o quanto os críticos levam uma vida sem cor e sem música. Mas não posso negar que mesmo realizando uma obra que sugere algo que não seja algo construtivo, ele consegue criar situações de um humor leve e descontraído com situações que envolvem o crítico. Assim como o roteiro tira proveito e consegue criar algum humor ele deixa a desejar em sua estrutura, pois para uma comedia romântica como o diretor queria que acontecesse, precisa-se de um casal de protagonista que tenha uma química e não aconteceu com os protagonistas. Acrescento também que a incessante vontade de explicar o protagonista está pensando, mesmo quando sua expressão facial já diz tudo acaba minando mais o roteiro.
Ao mesmo tempo que o roteiro não desenvolve tão bem a comédia romântica, ele consegue através de alguns pontos contar a história do filme. Os figurinos de Victor muda quando ele conhece Sofia, seu apartamento ganha mais cor e iluminação. No início do filme temos uma iluminação da projeção que vai direto em cima de nosso protagonista o que ratifica o filme dentro do filme, já que iremos testemunhar a comédia romântica na vida de Victor. É interessante também ele ser metalinguístico e também citar tanto a Nouvelle Vague.
O filme constrói sua narrativa de maneira que acaba não acertando em seu subtexto, acerta em alguns momentos de humor, mas infelizmente soa pretensioso demais em alguns momentos. Cita o cinema, mas ao utilizar os recursos batidos de uma comédia romântica deixa a desejar em um quesito que é extremamente importante em uma comédia romântica, que é o casal protagonista. Eles estão bem em sua individualidade, mas no conjunto não. Ao chegarmos no final, independente do que aconteça o público não sente tanto o dano.