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Devo admitir, que sou um grande fã da obra original de Suzanne Collins. A excelente escritora usa um mundo fictício e nele insere diversas críticas sociais com um romance muito bem conduzido e nada muito digamos, melodramático. Por isso, temia profundamente que a adaptação para as telonas poderia se preocupar apenas com os adolescentes que gritam no cinema e jogassem fora todo o simbolismo presente no livro. Porém, felizmente, a equipe de ''Em Chamas'', apresenta um filme completamente fiel á obra original, mantendo assim seu tom pesado, simbólico, revolucionário e de esperança. O resultado é um filme superior ao primeiro e uma série que se revela mais do que um apelo comercial - mas sim, um apelo artístico.
Bem, sem mais de longas, como adaptação: perfeito. Não encontrei uma só cena em que fiquei decepcionado com a adaptação, o roteiro consegue ser fiel ao livro, sem cortar cenas importantes e ao mesmo tempo, inserir várias outras sequências para não termos a sensação que estamos relendo a obra porém com algumas imagens. Entre algumas cenas ''adicionadas'', o roteiro acerta em cheio em as vezes nos mostrar do ponto de vista do Presidente Snow ou de Plutarch (Phillip Saymour Hoffman, ótimo).
Outra virtude do texto é deixar a arena apenas para os 40 minutos finais, assim é muito mais prazeroso ver o clima de revolução e político do resto do filme, e a ação, na arena, é deixada apenas para o final. Porém, por mais que a maioria das sequências de ação são muito bem condizidas por Francis Lawrence, que consegue fazer um uso decente de câmera na mão - coisa que o primeiro capítulo não conseguiu fazer - e podemos dizer que o roteiro acerta ao deixar o campo de batalha muito mais criativo e interessante, em alguns momentos não deixei de me sentir entediado pelo fato das cenas se estenderem muito mais do que deveriam - a cena dos macacos, por exemplo, surge como desnecessária e apenas para dar mais espaço á ação.
Em contrapartida, Francis Lawrence é eficiente á não transformar Panem em um lugar bonito e divertido, mas sim em um país triste e frio, com uma chama de esperança brotando na população, para assim, derrubar a capital. E as criticas sociais que fizeram o primeiro filme ser tão interessante, não deixam de dar as caras em ''Em Chamas'', um exemplo é a capital, rica, gozando de suas comidas e dinheiro, enquanto os outros distritos são pobres, mergulhados na miséria . Ainda temos os pacificadores, que lembram muito inclusive, a PM e sua repressão nas manifestações de Junho deste ano - e os brasileiros ganham esse gostinho extra.
Em atuações, mais uma vez Jennifer Lawrence prova para mim que ela é muita atriz muito eficiente. Sentimos seu sofrimento, sua dor, e a artista carrega sempre uma expressão de se encontrar em profunda depressão e sofrimento, e conseguir captar a Katniss triste e desesperada retratada por Suzanne Collins. Até mesmo Josh Hutcherson, sim, o garoto que fez pavorosamente o pavoroso ''Viagem ao Centro da Terra'', aqui está muito bem. Outros coadjuvantes são eficazes, como Woody Harrelson, muito divertido como Haymitch (mais uma vez), e Donald Sutherland, excelente como presidente Snow. Outra que merece destaque é Jena Malone, ótima como Johanna e que ganha muito tempo em tela (sabiamente) graças aos roteiristas.
A fotografia é muito, muito bem utilizada, em que temos inclusive uma mudança de coloração quando estamos na Capital (mais claro, mostrando o poder dela) e nos Distritos (cinzenta, mostrando o sofrimento). Apresentando ainda efeitos especiais excelentes (superiores ao primeiro, aliás, pelo crescimento absurdo do orçamento), Jogos Vorazes 2 ainda se beneficia do ótimo design de produção, que não só é competente ao fazer os distritos um lugar horrível de se viver, como também acerta em fazer da arena um lugar visualmente belo, e Lawrence (falo do diretor) consegue explorar muito bem sua direção de arte com seus planos bonitos e atraentes.
De uma maneira geral,''Jogos Vorazes - Em Chamas'' prova que nem todas as séries que vem de origem literária para jovens podem cair na ''crepusculada'' e se tornar um filme apenas para fazer fãs gritarem no cinema. É um longa inteligente o bastante para ficar na cabeça de qualquer fã de cinema, e ainda, agradar a todos que leram ao livro. ''Em Chamas'' é mais um capítulo forte, pesado e bom o bastante para uma série que vai se revelando excelente.
Bem, sem mais de longas, como adaptação: perfeito. Não encontrei uma só cena em que fiquei decepcionado com a adaptação, o roteiro consegue ser fiel ao livro, sem cortar cenas importantes e ao mesmo tempo, inserir várias outras sequências para não termos a sensação que estamos relendo a obra porém com algumas imagens. Entre algumas cenas ''adicionadas'', o roteiro acerta em cheio em as vezes nos mostrar do ponto de vista do Presidente Snow ou de Plutarch (Phillip Saymour Hoffman, ótimo).
Outra virtude do texto é deixar a arena apenas para os 40 minutos finais, assim é muito mais prazeroso ver o clima de revolução e político do resto do filme, e a ação, na arena, é deixada apenas para o final. Porém, por mais que a maioria das sequências de ação são muito bem condizidas por Francis Lawrence, que consegue fazer um uso decente de câmera na mão - coisa que o primeiro capítulo não conseguiu fazer - e podemos dizer que o roteiro acerta ao deixar o campo de batalha muito mais criativo e interessante, em alguns momentos não deixei de me sentir entediado pelo fato das cenas se estenderem muito mais do que deveriam - a cena dos macacos, por exemplo, surge como desnecessária e apenas para dar mais espaço á ação.
Em contrapartida, Francis Lawrence é eficiente á não transformar Panem em um lugar bonito e divertido, mas sim em um país triste e frio, com uma chama de esperança brotando na população, para assim, derrubar a capital. E as criticas sociais que fizeram o primeiro filme ser tão interessante, não deixam de dar as caras em ''Em Chamas'', um exemplo é a capital, rica, gozando de suas comidas e dinheiro, enquanto os outros distritos são pobres, mergulhados na miséria . Ainda temos os pacificadores, que lembram muito inclusive, a PM e sua repressão nas manifestações de Junho deste ano - e os brasileiros ganham esse gostinho extra.
Em atuações, mais uma vez Jennifer Lawrence prova para mim que ela é muita atriz muito eficiente. Sentimos seu sofrimento, sua dor, e a artista carrega sempre uma expressão de se encontrar em profunda depressão e sofrimento, e conseguir captar a Katniss triste e desesperada retratada por Suzanne Collins. Até mesmo Josh Hutcherson, sim, o garoto que fez pavorosamente o pavoroso ''Viagem ao Centro da Terra'', aqui está muito bem. Outros coadjuvantes são eficazes, como Woody Harrelson, muito divertido como Haymitch (mais uma vez), e Donald Sutherland, excelente como presidente Snow. Outra que merece destaque é Jena Malone, ótima como Johanna e que ganha muito tempo em tela (sabiamente) graças aos roteiristas.
A fotografia é muito, muito bem utilizada, em que temos inclusive uma mudança de coloração quando estamos na Capital (mais claro, mostrando o poder dela) e nos Distritos (cinzenta, mostrando o sofrimento). Apresentando ainda efeitos especiais excelentes (superiores ao primeiro, aliás, pelo crescimento absurdo do orçamento), Jogos Vorazes 2 ainda se beneficia do ótimo design de produção, que não só é competente ao fazer os distritos um lugar horrível de se viver, como também acerta em fazer da arena um lugar visualmente belo, e Lawrence (falo do diretor) consegue explorar muito bem sua direção de arte com seus planos bonitos e atraentes.
De uma maneira geral,''Jogos Vorazes - Em Chamas'' prova que nem todas as séries que vem de origem literária para jovens podem cair na ''crepusculada'' e se tornar um filme apenas para fazer fãs gritarem no cinema. É um longa inteligente o bastante para ficar na cabeça de qualquer fã de cinema, e ainda, agradar a todos que leram ao livro. ''Em Chamas'' é mais um capítulo forte, pesado e bom o bastante para uma série que vai se revelando excelente.