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Logo no início de “Robocop” (2014), é possível notar uma preocupação ligada ao uso de robôs na segurança dos Estados Unidos substancialmente maior do que a apresentada no original, de 1987. Novak, personagem de Samuel L. Jackson, por meio de seu programa de TV, indaga por que essa tecnologia pode ser usada no Oriente Médio e não nos EUA. O responsável por essa realidade é o senador Dreyfuss (Zach Grenier), que não simpatiza nada com a ideia de colocar agentes sem sentimentos ou emoções quaisquer nas ruas para defender os cidadãos. Após estudar o caso e chegar à conclusão de que o melhor, então, seria colocar um homem dentro de uma armadura, Raymond Sellars (Michael Keaton) e Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) partem para a escolha do “premiado”, sem achar, num primeiro momento, o policial ideal para o teste. Eis que, pouco tempo depois, Alex Murphy (Joel Kinnaman), profissional, pai e marido exemplar, sofre um atentado e sobrevive, contudo, muito debilitado.
spoiler:
Cego de um olho, com um braço e uma perna amputados,
ganha uma segunda chance quando autorizada pela esposa (Abbie Cornish) sua robotização. A priori, apesar da aparência diferente, Murphy continua sendo um ser humano: ele detém controle sobre suas ações e preocupa-se com o procedimento adequado em cada situação. spoiler: Isso muda quando os resultados de seu treinamento não agradam os interessados em colocar máquinas para garantir a segurança de Detroit, os quais induzem, cada vez mais, a retirada de características de um indivíduo e transformam-no numa máquina, de fato. Dessa forma, o policial não reconhece mais sua família e não avalia, por exemplo, as consequências de atirar num bandido e acertar num refém – seu único objetivo torna-se combater o crime. A retomada da consciência aqui ocorre de uma maneira um tanto idealizada – por amor a Clara, a esposa, e a David (John Paul Ruttan), o filho – se comparada à do Robocop da década de 1980, que, por sua vez, faz uso inteligente das quatro diretrizes. O final feliz é garantido exatamente por essa volta de consciência acrescida à morte dos antagonistas Raymond Sellars, Antoine Vallon (Miguel Ferrer) e companhia.
A última cena, desculpa para estender uma enorme bandeira da maior potência mundial, spoiler: expõe o nacionalismo exacerbado do personagem de L. Jackson frente à negação da lei que transformaria robôs nada humanizados em policiais e entrega a oposição dele ao uso de máquinas com sentimentos.
Tirando essa parte, só elogios: ótima direção de José Padilha, boa fotografia, trilha sonora remetente ao primeiro filme e excelentes atuações (inclusive, chamo a atenção para a semelhança entre Cornish e Ruttan, que se passam facilmente por mãe e filho).
ganha uma segunda chance quando autorizada pela esposa (Abbie Cornish) sua robotização. A priori, apesar da aparência diferente, Murphy continua sendo um ser humano: ele detém controle sobre suas ações e preocupa-se com o procedimento adequado em cada situação. spoiler: Isso muda quando os resultados de seu treinamento não agradam os interessados em colocar máquinas para garantir a segurança de Detroit, os quais induzem, cada vez mais, a retirada de características de um indivíduo e transformam-no numa máquina, de fato. Dessa forma, o policial não reconhece mais sua família e não avalia, por exemplo, as consequências de atirar num bandido e acertar num refém – seu único objetivo torna-se combater o crime. A retomada da consciência aqui ocorre de uma maneira um tanto idealizada – por amor a Clara, a esposa, e a David (John Paul Ruttan), o filho – se comparada à do Robocop da década de 1980, que, por sua vez, faz uso inteligente das quatro diretrizes. O final feliz é garantido exatamente por essa volta de consciência acrescida à morte dos antagonistas Raymond Sellars, Antoine Vallon (Miguel Ferrer) e companhia.
A última cena, desculpa para estender uma enorme bandeira da maior potência mundial, spoiler: expõe o nacionalismo exacerbado do personagem de L. Jackson frente à negação da lei que transformaria robôs nada humanizados em policiais e entrega a oposição dele ao uso de máquinas com sentimentos.
Tirando essa parte, só elogios: ótima direção de José Padilha, boa fotografia, trilha sonora remetente ao primeiro filme e excelentes atuações (inclusive, chamo a atenção para a semelhança entre Cornish e Ruttan, que se passam facilmente por mãe e filho).