Adriano Silva
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Dunkirk
Dunkirk
4,0
Enviada em 29 de julho de 2017
Grande produção de Christopher Nolan!!!

A segunda guerra mundial é uma das partes mais dolorosas da história da humanidade, uma época dura e muito difícil para todos os envolvidos e para aqueles que conseguiram sair dela com vida é ainda mais dolorosa as lembranças. Hoje em dia essa parte da história é alvo das grandes produções cinematográficas, baseando-se em seus relatos com filmes, livros e jogos de vídeo games.

O longa de Nolan conta a história de uma parte da segunda guerra mundial, onde se passa a operação Dínamo, conhecida como evacuação de Dunquerque, quando quase quatrocentos mil soldados aliados ficaram cercados por tropas alemãs nas praias de Dunquerque na França. A história é contada em três partes diferentes, em uma praia, onde o soldado Tommy (Fionn Whitehead) tenta se salvar a qualquer custo, no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) trava uma dura batalha contra aviões inimigos, e uma parte de dentro de um barco em alto mar, onde o civil britânico Dawson (Mark Rylance) tenta ajudar a resgatar o exército de seu país.

Christopher Nolan é o diretor, roteirista e produtor de DUNKIRK. Nolan pisa em terrenos até então desconhecidos, como a guerra (uma vez que ele já navegou por o SCI FI e as adaptações em Super-Herói). Dono de grandes trabalhos como a trilogia Batman (um de seus melhores trabalhos), A origem e Interestelar, dessa vez ele aposta tudo em um tema bastante delicado, que é a segunda guerra mundial. Vejo várias pessoas questionarem os trabalhos de Nolan em diferentes opiniões (o caso de DUNKIRK é mais um em questão atual), pra mim, Nolan sempre foi um grandioso diretor, sempre nos entregando belos trabalhos, com muita competência e grandiosidade, mas é sempre plausível opiniões diferentes.

DUNKIRK é uma grande produção (como destaquei no início), belo filme baseado em uma história da segunda guerra. Nolan mais uma vez surpreende com seu trabalho, nos entregando um obra muito bem projetada (tem alguns pontos negativos que irei destacar mais pra frente), com uma maestria incrível em suas filmagens, usando tudo o que tem direito pra deixar o longa cada vez mais perto o possível do que realmente aconteceu naquela época, como o uso de belos cenários contemporâneos, os próprios aviões de guerra, os figurinos, tudo funcionando direitinho. Um grande destaque sem dúvidas é o uso do IMAX, sensacional a experiência em assistir ao filme em uma sala IMAX, o longa ganha forças magistrais com o uso das filmagens e principalmente o som do IMAX, você fica boquiaberto com a qualidade alcançada com o som de um avião passando em velocidade, as explosões, principalmente aquelas que acontecem no mar, onde você escuta com detalhes até os respingos de água batendo contra o barco.....FANTÁSTICO!!!

A fotografia está impecável, envolvida em um tom mais cinzento e denso. A trilha sonora é maravilhosa, Hans Zimmer é um gênio, dono de belos trabalhos em 12 Anos de Escravidão, Interestelar, Piratas do Caribe, Pearl Harbor....aqui ele entrega mais uma trilha sonora genial, com o uso de violinos em meios as explosões com uma qualidade a nível de Oscar (eu não estou exagerando).

Talvez o ponto mais negativo em todo o trabalho de Christopher Nolan seja o enredo. Não vou dizer que está ruim, achei muito interessante a forma como ele quis abranger toda história, contando em diferentes pontos, mas achei que o filme começa fenomenal e com o passar do tempo ele vai esfriando e ficando cada vez mais morno, e ao final ele já está perdendo um pouco da essência. Nolan não fez questão nenhuma em criar um protagonista pra sua história, coisa que eu compreendi perfeitamente, aliás, estamos falando de guerras e acho que a mensagem que ele quis passar não precisava criar um protagonista em que o público fosse torcer ou algo do tipo. Nolan fez um trabalho cru, onde até os momentos sem diálogos se encaixavam bem na trama. Porém, achei a narrativa morna em certas partes, onde o longa se arrasta um pouco e vai ficando maçante, e o que menos gostei foram as partes das cortadas e tomadas de cenas entre um acontecimento com um personagem e outro, ficou muito rápido e se perdia, quando estava frisando um fato, de repente cortava pra outro sem ao menos você conseguir assimilar tudo que estava acontecendo. Como falei, a ideia de Nolan de dividir a sua história em três partes dentro do filme em que ambas se encontrariam no final, ficou muito boa, mas achei que a forma como foi passada poderia ter sido mais bem executada.

O longa é estrelado por Fionn Whitehead, Tom Glynn-Carney, Jack Lowden, Harry Styles, Aneurin Barnard, James D'Arcy, Barry Keoghan, Kenneth Branagh, Cillian Murphy, Mark Rylance e Tom Hardy. Cada um entregou um bom trabalho em seus personagens, Tom Hardy e Cillian Murphy foram os dois melhores na minha opinião.

A forma como Nolan fez seu trabalho em DUNKIRK mostrou um filme baseado em guerra, mas de uma forma diferente de filmes como O Resgate do Soldado Ryan e Até o Último Homem, onde você tinha um certo protagonista que você criava uma empatia. DUNKIRK é um filme com um objetivo mais direto, e a falta de um personagem principal para o público se apegar ou criar empatia, pra mim não fez falta e no que o filme se propôs, ele conseguiu entregar com grandiosidade, mesmo com alguns pontos negativos que destaquei, mas que não ofuscou o brilho de DUNKIRK.