Adriano Silva
Filmes
Séries
Programas
Voltar
Noé
Noé
2,0
Enviada em 12 de junho de 2017
Me lembro lá em 2014 quando Noé foi lançado e da grande repercussão gerada em cima do filme. Eu particularmente não dei a mínima pro filme na época, mesmo repleto de atores que eu gosto muito.

Assistindo hoje eu comprovei a tamanha polêmica gerada sobre o filme, é realmente uma grande discussão. O longa dividi muitas opiniões, principalmente entre os religiosos mais fanáticos, tem quem goste, tem quem odeie e tem aqueles que ficaram encima do muro, e eu vou ser bem sincero: Na minha opinião, o filme não é bom, é muito bagunçado e sem sentido. Eu não sou um religioso e assisti ao filme com uma visão de uma pessoa normal e não de um severo religioso que buscava encontrar a perfeição feita na adaptação dessa passagem Bíblica.

Desde 2014 que eu sempre lia uma coisa ou outra sobre o filme Noé, e sempre as críticas eram mais fortes do que os elogios (quase difícil encontrar algum). Na verdade as adaptações nunca são feitas a risca da obra original, pode ser um livro, uma HQ, ou até mesmo uma passagem Bíblica. Os diretores/roteiristas sempre seguem a história original, mas colocando sua própria visão e muita das vezes mudando bastante coisas, ou até mesmo seguindo outros caminhos encontrados em vários locais que pesquisaram na produção do filme (esse é o caso de Noé). Darren Aronofsky é diretor, roteirista e produtor do longa e pra mim ele viajou demais, ele colocou coisas sem total necessidade no filme, talvez buscando alcançar maiores atenções com seu trabalho, ou tentando se desviar cada vez mais da passagem Bíblica original. Como já destaquei antes, os filmes nunca seguem a risca da obra original e sempre são modificados quando vão parar nas telas dos cinemas, mas Darren Aronofsky não precisava viajar tanto.

O longa de Aronofsky não é somente um filme pra entreter o público, mas ficou muito claro sua intenção em levantar questões sobre a posição do ser humano em diferentes aspectos diante do “juízo final”, ou até mesmo se aprofundar em várias discussões sobre a fé intocada do protagonista diante das suas crenças em Deus (criador como é mencionado no filme). Ou até mesmo a crença de Noé em seguir os desígnios de Deus diante da construção da Arca e na decisão de salvar somente sua família e os casais de animais, deixando para trás, vários seres humanos, entre eles mulheres e crianças indefesas e inocentes. Sendo que o próprio Noé disse que construiria uma Arca para se salvar da aniquilação que cairia sobre os humanos impuros, para reconstrução da raça humana, mas as próprias crianças clamando por sua ajuda eram impuras e pecadoras? E quanto a garota Na'el (Madison Davenport) que ele resolveu deixar para trás, se negando a ajuda-la? Que tipo de fé e crença é essa em seu criador?

Tem outras partes do filme que o diretor Aronofsky derrapa e muito, e eu simplesmente achei totalmente vaga e sem sentido a intenção de trazer essas discussões para o longa.
Entre elas a questão sobre os guardiões de pedras, que no filme são retratados como anjos de luz caídos na terra após o pecado no Éden. Eu achei simplesmente horrível, totalmente desnecessário e sem pé nem cabeça, e o CGI dos guardiões de pedras são muito pobres e bem mal feitos. A questão da Ila (Emma Watson), o seguimentos da sua história e os seus acontecimentos finais envolvendo a fé de Noé e sua decisão (não posso me aprofundar mais porque seria spoiler), pra mim é um grande erro no filme, talvez se fosse contada de uma outra forma, até que poderia funcionar, mas do jeito que se desenrolou, não funcionou. A parte envolvendo o personagem Tubal-Caïn (Ray Winstone) e o personagem Ham (Logan Lerman) dentro da Arca, quando simplesmente por uma mera conversa, Ham decide enfrentar seu pai pelos os acontecimentos passados envolvendo Na'el, pra mim não colou e é mais uma parte do roteiro desnecessária e vaga. Tem uma parte que mostra uma espécie de explosivo nos confrontos, o que me pareceu muito com pólvora, se for realmente isso, é um terrível furo de roteiro, porque é sério? Pólvora na época de Noé?

O longa ainda possui pontos positivos como: A trilha sonora de Clint Mansell até que é boa e funciona bem em algumas cenas (principalmente nas partes finais). Os figurinos e maquiagens são bons, principalmente no personagem Mathusalem (Anthony Hopkins). A fotografia um pouco mais digital também ficou interessante. Os cenários em CGI ficaram razoavelmente bons, mas tem partes que o CGI é bem pobre e muito acelerado.

Falando do elenco: Russell Crowe é o melhor, sem dúvidas, ele está realmente muito bem no personagem e muito competente. Ele está forte, destemido e possui uma grande variação emocional em seu personagem, em algumas partes, sua atuação me remete aos épicos estrelados pelo próprio, como O Gladiador. Russell é um belíssimo ator e suas apresentações na maioria das vezes ficam memoráveis. Anthony Hopkins aparece pouco, mas em suas pequenas aparições em cenas ele está bem. Jennifer Connelly e Emma Watson até que funcionaram na trama, principalmente nas partes finais, onde suas dramaticidades são mais exigidas. Logan Lerman está razoável, seu personagem até que tenta fazer a diferença no longa, mas acho que ele não conseguiu se desenvolver bem. Ray Winstone tem um personagem até que interessante, ele se mostrou um antagonista bem funcional e sagaz, e na medida que o filme avança, seu personagem entra melhor em cena e nas partes dentro da Arca ele ainda consegue ser melhor (mesmo eu achando o seu personagem totalmente desnecessário na trama).

No mais: Noé não consegue ser uma obra verdadeira e interessante, o filme peca demais em várias quesitos e o roteiro se perde demais e é muito falho, na verdade o longa erra mais do que acerta. É realmente uma pena, porque na época dos trailers eu acreditava que o filme pudesse fazer a diferença sobre a adaptação dessa passagem Bíblica, mas o diretor quis inventar demais e se perdeu totalmente, perdendo ainda mais toda a essência do filme. (UMA PENA!!!)