Matheus S.
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Invocação do Mal
Invocação do Mal
4,5
Enviada em 15 de setembro de 2013
Há tempos não se via um filme de baixo orçamento que tivesse uma divulgação tão intensa e poderosa quanto à de Invocação do Mal. Redes sociais, sites de entretenimento ou de cinema, jornais e revistas: eram muitos os meios pelo qual o filme foi divulgado, às vezes mostrando seu lado positivo e em outras o seu lado ruim. O bafafá só aumentou quando o filme foi enfim lançado no Brasil, num dia bem sugestivo: uma sexta-feira 13! Aí não teve jeito, o filme caiu na graça do público e de boa parte da crítica, e conseguiu ofuscar completamente o filme da Disney que entrou em cartaz no mesmo dia (Aviões). Assisti-lo com grandes expectativas é algo inevitável, e se decepcionar também é algo quase inaceitável!

A trama mostra a típica (e clichê) história do casal feliz que se muda para uma casa nova com seus filhos; no caso esse casal é Roger Perron (Ron Livingston) e Carolyn Perron (Lili Taylor). No começo tudo é lindo, crianças escolhendo os quartos, o pai fazendo as reformas necessárias e a mãe trabalhando na decoração: típica família americana. Mas pequenos acontecimentos nada normais começam a, aos poucos, amedrontar a família: relógios param, portas se abrem sozinhas e animais morrem. Mal sabia eles que esse era apenas o início...
Paralelamente, também é contata sem muita profundidade o trabalho de Ed Warren (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), investigadores paranormais acostumados a trabalhar com forças malignas nos mais diversos lugares e com as mais diversas pessoas. Ao aumento dos eventos em sua casa, Carolyn se vê na obrigação de procurar ajuda e assim proteger sua família. É com isso em mente que ela vai atrás do casal Warren, que aceita investigar mais à fundo os eventos ocorridos na casa. O que ninguém esperava era saber o quão demoníaca já fora aquela casa, e o que já passou por lá, algo que permaneceu por lá e conseguirá aterrorizar não só a família Perron, como também os experientes Warren. E, é claro, o espectador também!

Para um cinéfilo que se assustou horrores com clássicos do gênero, como O Exorcista e O Bebê de Rosemary, a sinopse de Invocação do Mal pode não ser muito convidativa. Mas, como já foi ressaltada no início da crítica, a divulgação do filme foi tão intensa que era difícil não se sentir atraído para assistir o filme. O roteiro tem esse mérito de conseguir fazer com que essa base simples se transforme numa história de peso, com momentos necessários e certeiros de um horror verdadeiro, isso sem contar nas inúmeras citações à filmes consagrados do terror.
Mas, para criar todo o clima de tensão assustador, houve a incrível direção do James Wan. Já consolidado no cinema atual do terror (ele já dirigiu o cultuado Jogos Mortais), o diretor atingiu o seu ápice nesse filme. Ele conseguiu criar muito bem aquele clima de tensão que muitos tentam criar em vão. São incontáveis os sustos de surpresa que pipocam da tela, todos eles desenvolvidos com confiança e rapidez. O estilo do filme também é um prato cheio, com figurinos típicos da década de 70 e cenários capazes de remeter e trazer à tona nossos medos mais profundos. Seria um pecado destacar esses cenários e locações sem levar em consideração a fotografia incrível do filme. Câmeras de mão e giros por ângulos claustrofóbicos são utilizados perfeitamente para fazer com que, visualmente, o filme ficasse impecável.
Se por um lado o James Wan conseguiu conduzir o estilo do filme magnificamente, não se pode dizer o mesmo das atuações. Não há nada deplorável, mas tudo o que vemos são as caricatas fisionomias daqueles personagens amedrontados exageradamente. Mas há também aqueles que chamam mais atenção, caso da Vera Farmiga, que solta na tela uma interpretação forte e completamente convincente, capaz de nos emocionar nas cenas mais dramáticas e nos arrepiar nas cenas assustadoras. Mais uma prova de que ela é uma ótima atriz, só precisa trabalhar nos filmes certos para conseguir o reconhecimento merecido.
A trilha-sonora só serve para instigar ainda mais aqueles que estão se deliciando com o terror visual e psicológico. Nos momentos de susto iminente ela se extingue completamente, mas em diversas cenas ela se torna vibrante e aumenta ainda mais a nossa tensão.

Aqueles mais conservados podem criticar o filme pela falta de inovação e por apostar no óbvio. Mas é possível inovar completamente nos dias de hoje? De uma forma ou de outra, Invocação do Mal se mostrou um dos filmes de terror mais poderosos e bem desenvolvidos dos últimos anos. Dificilmente entre no hall de clássicos do gênero, mas esse fato não diminui a capacidade de o filme nos fazer grudar na cadeira e de sair do cinema querendo mais!