Barbara Martins
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Ender's Game - O Jogo Do Exterminador
Ender's Game - O Jogo Do Exterminador
3,0
Enviada em 22 de dezembro de 2013
Prevenir um possível ataque extraterrestre dizimando a espécie ameaçadora antes que ela sequer planeje enfrentar as forças terrestres: esse é o plano do categórico Coronel Hyron Graff em Ender’s Game – O Jogo do Exterminador. E por que não usar crianças para tanto? Sim, crianças! Porque elas demonstram habilidades não compartilhadas pelos adultos. Pelo menos é esse o argumento utilizado no filme. Parece fraco? Bem, muita coisa parece fraca em termos de justificativa, desde a natureza violenta do protagonista, Ender, até a forma como ela se torna um reflexo da premissa do filme.

Podemos analisar o longa de dois pontos de vista: o generalista e o específico. O contexto generalista envolve todo o enredo e os personagens nele existentes, um programa militar humano criado para treinar crianças a combater um inimigo não-humano que já não se manifesta há 50 anos, ou seja, destrói-se para evitar um ataque futuro. Essa visão geral acaba por colidir com a visão específica apontada no filme: Ender ser a personificação dessa ideia de destruir para prevenir, como ele mesmo deixa claro logo no início do longa e que acaba por ser o motivo pelo qual ele é escolhido para participar do programa. Ender foi moldado para ser o programa! Deixar de explorar essa dualidade que se funde a ponto de confundirmos o que está na mente do garoto e o que foi implantado por uma vida de condicionamento aos efeitos e ferramentas da guerra é uma das maiores falhas do filme, junto ao final frustrante que parece inserir um elemento acessório e clichê a fim de redimir o protagonista (mas ele não treinou para aquilo durante todo esse tempo? Surge a pergunta quando começam os créditos).

Não li o livro de Orson Scott Card no qual o filme é baseado, portanto, não tenho a menor ideia do que foi feito quanto à adaptação, mas admito que fiquei curiosa para saber como o autor lida com o lado psicológico e ideológico do plano geral da história, fatores que pareceram ter sido introduzidos com certo receio e superficialidade em Ender’s Game – O Jogo do Exterminador.

Ainda assim, foi uma agradável surpresa, porque apesar dos pesares, temos que nos lembrar constantemente durante o filme que se trata de um roteiro adaptado de um livro infanto-juvenil, e que, portanto, como costumeiramente acontece, procura focar a atenção do espectador mais para a estética, principalmente em se tratando de ficção científica. Além disso, o elenco de veteranos e novatos acrescenta qualidade à peça de entretenimento que pode, sim, agradar àqueles que desejam passar o tempo rodeados de muitos e ótimos efeitos especiais.