Barbara Martins
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4,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2015
O olhar, os movimentos, o tom da voz: Eddie Redmayne em sua melhor forma na pele do personagem mais complexo de sua carreira. Mas falar de complexidade em A Teoria de Tudo é uma contradição, porque no longa prevalece a simplicidade, a despretensão, a sensibilidade. Uma bela forma de retratar a vida de um gênio que não se deixou destruir por uma doença que tinha potencial para tanto. Com um diagnóstico precoce de esclerose lateral amiotrófica, doença que gradativamente impossibilitou-o de mover-se e falar, o físico e cosmólogo Stephen Hawking tem uma história, no mínimo, inspiradora, que inclui amigos e parentes que se mantiveram sempre ao seu lado. Para representá-los, um ótimo elenco e uma fluidez que permite passarmos por várias etapas da vida de Hawking sem aquela sensação de cansaço comum a filmes que pecam pelo exagero. Com um senso de humor certeiro e equilibrado, o longa transcorre com leveza, apesar das cenas que expõem os acidentes e a dificuldade crescente do físico desde o descobrimento da doença. A fotografia se apresenta na forma de uma iluminação delicada, característica do filme como um todo, que parece fundir-se com a fragilidade do próprio protagonista.
As pesquisas de Hawking sobre o tempo e os aspectos que o envolvem dentro da cosmologia poderiam ter guiado o longa em uma direção mais calculista e metódica, se não fosse o equilíbrio perspicaz entre o homem e sua criação. Aliás, o trabalho do estudiodo está especialmente ligado ao desfecho, que é de uma sensibilidade como há muito não via e uma confirmação da obra bem estruturada que é "A Teoria de Tudo". Todos os elementos, da trilha sonora às locações, formam uma unidade, homogênea e atenta a pisar sobre os passos de Hawking, mesmo quando este já não podia fazê-lo.