Barbara Martins
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Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1
Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1
4,5
Enviada em 23 de novembro de 2014
Chegamos à primeira parte do desfecho de uma franquia aclamada por seu senso de realidade e, por isso, cheia de ferimentos. Sim, ferimentos. Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 é uma cutucada em feridas abertas pela situação social e política exposta em Jogos Vorazes e Jogos Vorazes: Em Chamas. Contudo, logo na cena de abertura do terceiro filme, podemos ver o descortinar da verdadeira protagonista da vez: a psique. Explorado a partir dos mais diversos ângulos, inclusive quando manipulado através de propaganda de guerra (tratada com ênfase no filme), o aspecto psicológico prevalece em detrimento da ação. Há, sim, uma tentativa de inserir momentos mais ágeis, porém, os jogos agora são outros, e esses momentos se fazem incompletos, comedidos ou uma simples observação dos cenários onde a ação já ocorreu e tudo o que sobrou foram destroços. Inclusive no Distrito 13, uma base subterrânea construída a fim de proteger sua população da tirânica Capital e palco de grande parte dos acontecimentos em A Esperança. Katniss, mais uma vez interpretada expressiva e intensamente por Jennifer Lawrence, é o objeto principal explorado pelo filme, já que este preocupa-se em examinar cada nuance da condição da personagem enquanto ela tenta proteger a família, decidir se possui a força necesária para aguentar o peso de se tornar o símbolo de uma revolução e pensar em maneiras de salvar os tributos mantidos reféns pela Capital, especialmente Peeta Mellark, seu aliado nos jogos e cuja deterioração física e mental durante a trama torna-se reflexo da linha narrativa seguida pela história até aqui e estímulo para a condição dualista de Katniss, ora desesperada, ora encorajada. Assim, o filme se define como uma montanha-russa de emoções e traumas causados pela guerra e a afinação do elenco em representá-los é um de seus maiores méritos. Mas esse excesso de diálogos, reflexão e julgamentos vai levar muitos espectadores a questionarem a necessidade da divisão da última parte da franquia em dois filmes. O longa é fundamental para entender a essência psicológica dos afetados pela guerra e para determinar os arcos dos personagens, evitando incertezas e um ritmo acelerado demais na parte 2 ou se faz desnecessário quando o drama e a ação poderiam ter sido incorporados em um único filme, mais ágil e ainda assim significativo? Fica a dúvida que nunca poderemos tirar pois o que está feito está feito. Mas apesar de todos os pesares, as duas partes prometem completar uma a outra e, se assim for, nada melhor do que assistir os dois lados de uma mesma moeda, um filme sobre a guerra transformando as pessoas e outro sobre as pessoas transformando a guerra.