Valdeci C de Souza
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O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes
1,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012

O Livro O Morro dos Ventos Uivantes escrito pela escritora britânica Emily Brontë é um daqueles romances que grudam na sua alma e o acompanham por muitos anos após a sua leitura. Impactante ao extremo com personagens fortes e de personalidades tão dispares entre si que rendeu tanto sucesso no mundo literário. Não é à toa que teve inúmeras transposições para o cinema sendo a mais antiga realizada em 1920 e dirigida por A. V. Bramble e a mais famosa em 1939 estrelando Laurence Olivier e Merle Oberon com direção de William Wyler. No site da Wikipédia você pode encontrar outras adaptações deste fabuloso romance. Mas gostaria de comentar aqui o filme O Morro dos Ventos Uivantes dirigido por Peter Kosminsky e estrelado por Juliette Binoche como Catherine Earnshaw e Ralph Fiennes como Heathcliff.
Sempre quando assisto a uma produção cinematográfica baseada em literatura fico com um pé a trás. Eu sei que são linguagens diferentes, públicos diferentes e tudo mais. E imagino que roteirizar toda a complexidade da história de Emily Brontë deixa qualquer roteirista de cabelo em pé. Transpor para a tela toda a personalidade instigante, complexa e atormentada de Heatchliff e o caráter de menina mimada, sonhadora e por vezes calculista de Catherine seria impossível e, infelizmente, não foi nesta produção que conseguiram. Adoro Juliette Binoche com seus olhos profundos e tristes e a sua interpretação sempre contida em gestos, mas carregada de emoção. Todavia, nem em mil anos poderia imaginar Juliette Binoche interpretando Catherine Earnshaw. Não mesmo! Nos momentos em que o personagem deveria mostrar-se de uma alegria estonteante de menina mimada ou nas vezes em que deveria ser mesquinha em atormentar seu amado, via-se na tela uma Juliete Binoche fora do contexto. Até suas gargalhadas de “sinhazinha” nos seus vestidos esvoaçantes soavam falsas. Inadequação total para o personagem! Ralph Fiennes, por outro lado, conseguiu transmitir toda a angústia, sofrimento, desprezo e aquele amor enlouquecedor de Heathcliff. Infelizmente o roteirista não conseguiu, mais uma vez, transpor toda a magnitude dos personagens deste fantástico livro para o cinema.
Várias passagens foram supridas e Heatchliff foi o que mais perdeu nesta transposição. Seu caráter vingativo, sua origem maquiavélica e aquele amor doentio foi banalizado ou colocado de forma muito a quem deste personagem instigante. Sem contar, claro aquele ambiente um tanto quanto sobrenatural do lugar e as dúvidas relacionadas ao caráter quase diabólico do personagem principal. No livro Heathcliff maltrata a segunda geração com um desprezo enorme e sua arrogância, desprezo e intolerância para com todos, inclusive seu hospede, mal aparecem no filme. Aliás, a segunda geração foi quase toda suprimida (infelizmente) para dar agilidade ao filme. Para quem viu o filme, eu recomendo que corra à livraria mais próxima e compre o livro caso ainda não o tenha lido. Infelizmente não foi desta vez que conseguiram trazer para a sétima arte toda a grandiosidade da obra literária O Morro dos Ventos Uivantes.
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