SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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Boa Noite e Boa Sorte
Boa Noite e Boa Sorte
2,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
2005 foi um ano de ouro para George Clooney. Ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por "SYRIANA" e concorreu ao Oscar de melhor filme com "BOA NOITE E BOA SORTE". Muito mais importante do que as nomeações da Academia de Hollywood é a qualidade que seus trabalhos apresentam. Clooney prestou uma grande e justa homenagem ao âncora de um programa jornalístico da rede de televisão CBS na década de 50, Edward Murrow (David Strathairn, em atuação superlativa). "BOA NOITE E BOA SORTE", frase com a qual Edward Murrow terminava todos os programas, mostra nos seus 93 minutos de duração, como era a televisão norte-americana quando ela ainda engatinhava. A equipe de Edward Murrow decide fazer uma matéria na qual o senador que gostava de caçar bruxas, Joseph McCarthy, teve algumas de suas contradições esmiuçadas em rede nacional. Por ser democrata nas palavras e nos atos, Edward Murrow deu ao senador oportunidade de responder às críticas a ele feitas num programa seguinte. O senador usou a sua famosa tática de acusar Murrow e sua equipe de terem ligação com a causa comunista. Impressiona o papel do chefão da CBS, William Paley (Frank Langella), que deu sinal verde para que Edward Murrow levasse adiante seus programas por mais que alguns patrocinadores pudessem boicotá-lo. O próprio George Clooney interpreta Fred Friendly, que fazia parte da equipe de produção do programa. Os editoriais de Murrow deveriam ser estudados por todos os estudantes de jornalismo, tamanha o seu talento de expressão independente do assunto em voga. "BOA NOITE E BOA SORTE" é uma homenagem aos filmes noir: preto-e-branco, todos fumando e o jazz como trilha sonora. Este, por sinal, é um capítulo à parte. A trilha sonora é extraordinária. A cantora Dianne Reeves, que também participa da película, destila a sua categoria musical quando canta "How high the moon" e "TV is the thing this year". O discurso que Edward Murrow profere numa homenagem que seus colegas fazem no ano de 1958 é profética ao prever que a televisão poderia ser uma grande arma a serviço da disseminação da cultura ou então, uma máquina de discussão de temas superficiais. Bingo! O Faustão e o Gugú que o digam. Notável homenagem a um tipo de profissional que não existe mais na mídia.