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De cara eu já digo para aqueles que nutrem algum tipo de preconceito contra o cinema brasileiro pelo fato dele só mostrar pobreza: não assistam. O roteiro é baseado em fatos reais (inclusive a própria família que deu origem à trama esteve na sessão de pré-estréia do filme) e mostra a família de Romão (Wagner Moura) fazendo uma peregrinação entre a Paraíba e Juazeiro do Norte, onde o patriarca iria encontrar indícios de um emprego com um salário de R$ 1.000,00. Até aí, nada demais. Imagine quantas pessoas não fazem promessa de visitar Padre Cícero para que este dê a sua benção na conquista de melhora de saúde, empregos, amores impossíveis, etc e tal. O inusitado se deve ao fato de que toda a família faz o percurso de bicicleta. A esposa Rose (Claudia Abreu), Antonio (Ravi Ramos Lacerda) e outros três filhos menores pedalam, sob o comando do chefe da família, até o Ceará. A beleza do nordeste é bem explorada por Gustavo Habda. O road-movie tem a sua segunda etapa, quando Romão decide levar a sua família de Juazeiro para o Rio de Janeiro. É claro que de bicicleta. Se ele gostasse de trabalhar o tanto que gosta de pedalar, ele teria arrumado vários empregos ao longo de sua viagem. Este é um ponto importante a ser tocado. Em nenhum momento, Romão inspira algum tipo de admiração. Ele está mais para um explorador da família (a esposa e um dos filhos cantam músicas de Roberto Carlos em bares no cafundé do judas para conseguir dinheiro) do que qualquer outra coisa. O filme, por sinal, é dedicado pelo diretor ao "rei". As músicas pertencem à melhor fase de RC. "As curvas da estrada de Santos", "Eu sou terrível", "Detalhes" entre outras. Claudia Abreu não tem o "physique du role". Teria de ser uma atriz mais feia, com um semblante sofrido. O desfecho do filme também é totalmente anti-climático e que colabora para acentuar a imagem de vagabundo desenfreado de Romão.