SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera
Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera
1,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
O diretor sul-coreano é mais um dos muitos asiáticos que viram suas carreiras ganharem uma ascenção inesperada nos últimos anos. Os críticos ocidentais têm redescoberto o cinema do extremo oriente, daí até o lançamento em dvd de um "filme de arte" sul-coreano, algo impensável há alguns anos. Neste filme, a reflexão é sobre o ciclo da vida, tudo numa visão neobudista do universo. Numa casa localizada num local ermo, no meio de um lago, vivem um monge (Oh Young-su) e um seu pupilo, um garoto de 5 anos de idade (Seo Jae-kyung). Este não tem com quem brincar ou falar, pois a pessoa mais próxima vive a quilômetros de distância. Com quem ele vai interagir? Aqueles que pensaram com os animais acertaram. Ele, então, coloca pedrinhas na perna de um sapo, amarra pedrinhas em peixes e cobras. O monge observa o comportamento do menino e execra suas atitudes anti-sociais. O moleque sai correndo para libertar os animais, porém, o peixinho estava morto. Ele chora de forma convulsiva. O monges neobudista provou ser ótimo na manipulação da culpa na mente de garotos indefesos. E as estações do ano vão se sucedendo. O menino torna-se um homem (Kim Young-min) e se apaixona por uma bela mulher (Ha Yeo-jin) que vai passar uma temporada junto do monge para superar uma doença grave. Me pareceu que a doença dela era histeria. Enfim, a luxúria e a paixão acabam vencendo o "equilíbrio neobudista". A moça que já havia se recuperado de sua doença, nem tanto pelas ervas que havia sido obrigada a ingerir durante a sua estadia, foi expulsa da casa. O discípulo do monge decide abandonar a sua vida reclusa e parte em direção à civilização no encalço de sua amada. Novamente as estações se sucedem e o moço retorna para a casa no meio do lago - de uma beleza inigualável, diga-se de passagem - pelo fato de ter assassinado sua esposa fruto de ciúmes, e, é claro, querer ficar longe da polícia. A narrativa circular continua e ele é preso e, anos mais tarde, volta para ocupar o lugar deixado pelo monge que se "auto-incinera" no meio do lago quando percebe que sua morte está próxima. O ciclo será fechado quando uma mãe desesperada deixa o seu filho para ser cuidado pelo novo monge. Kim Ki-Duk acertou em cheio na escolha do templo flutuante e no local de filmagem, uma ilha exótica de uma beleza extraordinária. No que tange ao roteiro, a mensagem de um zen-budismo infantil não emplaca, ao menos para mim. Como os asiáticos estão em alta no cinema ocidental, até mesmo filmes medianos ganham a pecha de filme de arte.