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Ninguém é inocente para Murilo Salles. Todos têm o seu grau de culpa. Ao contrário no seu predecessor "Como nascem os anjos", Salles opta pela veia cômica para contar as idiossincrasias das diferentes classes sociais e culturais. Logo de início temos a VJ Cacá (Ludmila Rosa) subindo o morro do complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, para fazer uma matéria com um grupo da "comunidade". Lá ela se encanta com o mestre de cerimônias (MC) PQD (Rocco Pitanga) e vai para a cama com ele. Quando ela acorda no dia seguinte, dois bandidos a assaltam e queimam parte dos seus cabelos. Cacá vai então até a delegacia onde faz um boletim de ocorrência contra PQD. A polícia sobe o morro, fato que faz com que o chefe do tráfico de drogas local obrigue PQD a sair de lá. PQD decide ir para São Paulo atrás de Cacá para esclarecer que ele não teve nada com o assalto e pedir que ela retire o B.O. contra ele. PQD encontra Nando (Caio Junqueira, em excelente atuação como a bicha hedonista), um clubber sem um tostão no bolso. Nando induz PQD a assaltar alguma mulher e dividir o dinheiro com ele. PQD é negro. Nando é branco. Um assalto perpetrado por um negro é uma coisa; por um branco é outra coisa. O universo clubber é bem evidenciado através das gírias, músicas e vestuário de Nando e de seus amigos (homens e mulheres). Nessa altura, PQD só não voltou para a sua casa no Rio por falta de dinheiro. Ele junto com Nando e Ruth (Débora Lamm), vão simular um seqüestro de Nando para arrancar algum dinheiro de sua mãe (Marília Pera). Quem vai preso no final da história é o lado mais fraco, ou seja, PQD. Por seu lado, Ruth lança algumas músicas de PQD internet, e ele acaba por ser premiado como o melhor site de artista. O protótipo do carioca do morro, malandro, enrolador cai por terra. O cara é simplesmente engolido pelo pessoal do asfalto paulistano. Não existe mais inocência neste mundo globalizado na falta de ética, eis o recado de Murilo Salles.