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O diretor mexicano que alcançou fama mundial com seu excelente "Amores brutos (Amores perros)", atravessou a fronteira americana e foi trabalhar na meca do cinema. O roteiro de Iñarritu e Arriaga guarda muitas semelhanças com o de seu filme anterior. Narrativas que se entrelaçam, contadas de forma elíptica, não linear. O diretor faz uma espécie de filme-enxerto. Qual a vantagem desta técnica? É a de confundir o espectador, particularmente na terça parte inicial do filme. Christina (Naomi Watts) é casada com Michael (Danny Huston), com quem tem duas filhas pequenas. Ela é feliz até que o marido e as filhas morrem num atropelamento. Jack (Benicio del Toro), o motorista da caminhonete que aniquilou a família de Christina, foge da cena do acidente, porém, mais tarde, se entrega para a polícia. Nota: ele já havia tido passagens policiais por furtos e por porte de drogas. O coração de Michael é transplantado em Paul (Sean Penn), um cardiopata crônico, que estava na lista de espera há muito tempo. Após recuperar-se da cirurgia, Paul fica obcecado em saber quem foi o seu doador. Contrata, então, um detetive que lhe consegue as informações solicitadas. A atitude de Paul é ir atrás de Christina, com a qual tem um envolvimento afetivo. Ela, por sua vez, deseja seqüiosamente a morte do assassino de sua família e pede a Paul que acabe com a vida de Jack. Mais uma vez, Iñarritu aborda a fatalidade como fator determinante dos caminhos que o homem trilha ao longo de sua vida. A tragédia e a dor unem os três protagonistas atormentados deste filme. Por sinal, a atuação do trio é sublime. A bela Naomi Watts não levou o Oscar por pura injustiça. Se 21 gramas é o peso que perdemos quando morremos, daí o título, o ganho do espectador não pode ser contabilizado ao final da película. A vida vale mais a pena quando nos deparamos com obras como esta.